sexta-feira, 23 de novembro de 2007

E-VOTING RESEARCH – FROM A UTILITARIAN APPROACH TO AN IN-DEPTH CRITICAL AND REFLEXIVE ENGAGEMENT WITH THEORETHICAL ISSUES


Most of the e-voting research and discussion today are done in a quite utilitarian and technical way. This follows the worldwide positivist and utilitarian approach to research that neglects the social, cultural and political aspects of social life. There is a need for an in-depth critical and reflexive engagement with theoretical and methodological issues with regard to e-voting, especially in developing countries.

It is known that many e-voting initiatives are based on a market-driven approach that neglects basic priorities for people lacking education, clean water, food and primary health care. Under the market driven approach and the utilitarian approach, technology is treated as a mere tool. So, under the use of a traditional top-down model or the “tool-approach”, information technology like e-voting has been implemented in developing countries, detached from its social and political context, as an instrumental, static, elitist, and uncritical utilitarian approach that is no longer sufficient and appropriate.

By emphasizing the technical, utilitarian and tool approach to technology, the interests are just in terms of a narrow technical specialism, at the expense of social and political issues, often associated with an elitist and simplistic view that did not lead to a deep investigation of how social, economic, and political factors are embedded in technology.

Under a utilitarian and tool approach, e-voting seems to reinforce a narrow concept of democracy. It seems that in a democracy what is important is the act of voting and not public engagement and participation. People need democracy between elections and not just at elections time. In this case, we need tools to reinforce democracy between elections and not tools just to be used at elections time. Will e-voting empower the ordinary people? What does it mean for democracy and electronic election for millions of poor people? Was not this public network project designed to the advantage of corporate actors than to the benefit of millions of illiterate people? If e-voting technology is not discussed with society, will it strengths the powers of the elites, the rich, the educated, and the corporate actors at the expenses of ordinary people?

The discussions of e-voting insecurity and lack of transparency may lead the world, including Brazil, to embark on a high investment to keep e-voting security. The alignment between business and e-voting security seems to have been proposed already. However, this is not the solution for our democracy. E-voting research should not be separate from citizenship.

If we want to consider citizenship in our research work on e-voting, the traditional and utilitarian approach to research is useless. There is a need for a qualitative critical and reflexive research on e-voting, especially in developing countries. In other words, more social and political research on e-voting should be done, bringing us to more reflexivity and engagement with theoretical and methodological issues. By developing more sophisticated analysis of the social and political aspects of e-voting technology, it is possible to go beyond the voting process leading us to better understand that the social and political systems are components more important to improve democracy than e-voting.
References

1. Avgerou, C.; Ciborra, C.; Land, F. The Social Study of Information and Communication Technology. London. Oxford University Press. 2004.

2. Crabtree, B. Miller. Doing Qualitative Research. London, 2nd ed. 1999.

3. Denzin, N.; Lincoln, Y. The Landscape of Qualitative Research: Theories and Issues. London, Sage, 1998.
2. Rodrigues Filho, J. E-Voting in Brazil – The Risks to Democracy. Lecture Notes in Informatics. Electronic Voting 2006. 2nd International Workshop. Bregenz, Austria. 2006.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

SENADORES QUEREM BANIR URNAS ELETRÔNICAS


Um mês depois que os holandeses baniram o voto eletrônico, agora é a vez dos Estados Unidos. Segundo notícias da revista Time Maganize desta semana, dois senadores democratas dos Estados Unidos apresentaram projeto de lei propondo banir o voto eletrônico, a exemplo do que ocorreu na Holanda.

A proposição dos senadores Bill Nelson, da Flórida, e Sheldon Whitehouse, de Rhode Island, ambos do Partido Democrático, é no sentido de que as urnas do tipo DRE (Direct Recording Electronic Voting), similares às que são utilizadas no Brasil, não sejam mais utilizadas nos Estados Unidos, por serem consideradas inseguras, além de não oferecerem nenhuma transparência durante o processo eleitoral. Contudo, os senadores são favoráveis à tecnologia que ofereça mecanismos de impressão do voto e, principalmente, à tecnologia de leitura óptica para contagem de votos.

A preocupação, no momento, é o que fazer diante de gastos de quase meio bilhão de dólares com urnas eletrônicas inseguras. Os americanos sempre questionaram o elevado custo de urnas eletrônicas, embora o voto eletrônico nos Estados Unidos seja utilizado por apenas 20% dos eleitores. O sistema de votação nos Estados Unidos é muito diferente do de outros países, uma vez que os americanos podem utilizar diferentes formas de votar, ou seja, voto eletrônico, voto de papel, leitura óptica etc.

Desde o ano 2000, quando os americanos foram atormentados com a questão de contagem de votos, que resultou na eleição do Presidente Bush, os políticos começaram a observar positivamente a opção de voto eletrônico, já utilizado no terceiro mundo, principalmente no Brasil e Índia. Aliás, a partir daí, as urnas eletrônicas começaram a ser utilizadas em várias partes do mundo, mas sem a suficiente atenção com a questão de segurança e transparência das eleições.

Contudo, duas questões ameaçavam a utilização da urna eletrônica nos Estados Unidos: a primeira dizia respeito à insegurança deste instrumento de votação e a sua falta de transparência, fato apontado já por especialistas e acadêmicos brasileiros. Neste sentido, acadêmicos e instituições americanas começaram um grande movimento contra o voto eletrônico como o existente nos dias de hoje. A outra questão tinha a ver com as acusações de ligação da empresa Diebold, fabricante de urnas eletrônicas, com o Partido Republicado, do Presidente Bush.

A Diebold, também é a fabricante de urnas eletrônicas para o Superior Tribunal Eleitoral, mas nunca foram levantadas suspeitas de seus negócios com o governo brasileiro, apesar desta empresa ter comemorado o maior faturamento de sua história de mais de cem anos de existência, vendendo urnas eletrônicas para o governo brasileiro, embora a história de implementação do voto eletrônico no Brasil não tenha ainda sido contada.

Face ao exposto, o que se pode concluir é que o projeto de voto eletrônico, utilizando a tecnologia atual e insegura, está sendo enterrado, sobretudo quando se alega que as urnas eletrônicas, até o momento, foram desenhadas e fabricadas ignorando os princípios básicos de segurança e transparência. Aliás, foi percebido que as vulnerabilidades dos sistemas de votação eletrônica eram surpreendentemente similares entre os diferentes fabricantes, facilitando qualquer processo de fraude.

Quem diria que, em tão pouco tempo, os políticos americanos propusessem banir o voto eletrônico, um mês logo após os holandeses terem puxado a tomada desta tecnologia. No momento, o mundo inteiro está chegando à conclusão dos riscos do voto eletrônico, fato alertado há mais de dez anos pelos especialistas brasileiros, quando as observações deles sempre foram ignoradas pelas autoridades governamentais e pela imprensa burguesa deste país. Hoje, no mundo desenvolvido, os mais críticos já começam a propor que indenizações sejam cobradas dos fabricantes de urnas eletrônicas, da mesma forma que são cobradas das empresas de tabaco, por conta dos riscos causados à sociedade.

Espera-se que, no Brasil, a classe política também tome posição sobre a nossa pobre tecnologia de voto eletrônico. Diante de muitos negócios e pouca transparência e democracia, é possível que alguns países, inclusive o Brasil, façam um esforço para alinhar negócios com segurança e transparência das urnas eletrônicas. Mesmo assim, a questão de ampliação da democracia e da alienação dos eleitores pela tecnologia só vai ser resolvido num debate em que não se separe tecnologia e cidadania.
Ainda bem que as democracias tradicionais já começaram a fazê-lo, num momento em que se propõe jogar no lixo milhares de urnas eletrônicas. Pensar em urnas eletrônicas sem levar em consideração o conceito de cidadania, é incentivar muitos negócios para as grandes corporações, porém riscos, prejuízos e exclusão digital para a sociedade, como estamos registrando no momento.
Este texto foi publicado em 13/11/2007 pelo site Congresso em Foco, conforme abaixo: