Documento publicado no New York Times, de autoria de Nicholas Shakson, autor do livro “Treasure Islands”, que trata dos paraísos fiscais e pragas das finanças, mostra o quanto o mundo tem sofrido com este sistema de offshore. É um sistema que proporciona impunidade, camuflando e blindando o capital, a riqueza e a prosperidade de poucos.

Conforme publicações nacionais e internacionais, os Pandora Papers, um enorme banco de dados coordenado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), trouxeram uma variedade de transações financeiras de mais de 330 políticos e autoridades públicas de mais de 90 países, além de mais de 130 bilionários de diversos países. Mostrou-se aí as trapaças e acúmulo de riquezas daqueles que não deveriam estar escondendo o que tem. Como já foi dito, os Pandora Papers “expuseram o Sistema Corrupto que deixa que os ricos do mundo evitem o pagamento de impostos”.

Para surpresa de muitos brasileiros, o Ministro da Economia, Paulo Guedes e o Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, detém contas nos paraísos fiscais, onde os mais ricos e malvados deixam suas riquezas para protegê-las e escapar de regras, leis e impostos que não gostam, como citado por Nicholas Shaxson. Desde o fim do Império Britânico, que Londres ou a chamada London City arquitetou este sistema de offshore, separado da economia Britânica, para esconder e guardar a riqueza roubada do mundo.

Qual a reação do governo brasileiro sobre isto? Até agora nada, mas já se observa uma indignação por parte da população no Brasil e no mundo inteiro. Uma vez que o governo e Paulo Guedes contam com o apoio de alguns empresários e da maioria dos deputados federais, é possível que nada aconteça, mas a esperança é de que a indignação do povo, como em outros países, continue para sempre. A sociedade brasileira tem que começar a entender os grandes riscos destas ferramentas de esconder dinheiro nos paraísos fiscais, principalmente para os mais pobres. Além disto, o grande risco delas é ameaçar nossa democracia, já arruinada por diversas ameaças.

Não há dúvidas de que o trabalho destes jornalistas vai continuar causando indignação, quando se descobre onde políticos, autoridades governamentais, estrelas dos esportes e das artes, além de ditadores e criminosos escondem suas riquezas, causando sérias desigualdades sociais. É chocante saber que mais de 600 jornalistas se envolveram nesta tarefa, arriscando a própria segurança e futuro profissional. Isto nos leva a indagar sobre qual é o julgamento de advogados e contadores que ajudam entrar nestes esconderijos? Já foi dito que a busca destes jornalistas atesta que advogados, legisladores, e as cortes de justiça direcionam a lei em favor das elites.

Não podemos esquecer o que disse esta semana, a Professora Katharina Pistor, da Escola de Direito de Columbia: “Quanto mais as elites mais ricas e seus advogados insistirem que tudo o que fazem é legal, menos o público confia na lei.... Uma vez perdida a confiança na lei, será muito difícil retornar. Os mais ricos perderão os ativos mais valiosos de todos”.

A reação de alguns países é animadora. Nos Estados Unidos, de imediato, parlamentares anunciaram uma lei denominada de “Enablers Act” para estabelecer programas anti-lavagem de dinheiro, que parece atender às denúncias dos Pandora Papers. Com esta lei, os Estados Unidos deixaram de ser o maior paraíso fiscal do mundo e começaram a tratar os manipuladores do dinheiro sujo como o inimigo público número 1, começando a mostrar como as democracias podem tratar adversários corruptos estrangeiros e os interesses especiais dos poderosos. No Canada, na mais recente eleição, todos os líderes partidários se comprometeram implementar medidas rigorosas e aumentar os gastos em auditorias para evitar que os mais ricos e as grandes corporações fujam de suas obrigações em relação ao pagamento de impostos.

O que estamos vendo agora com os Pandora Papers é o mesmo padrão de sinistro visto antes com os Panama Papers, ou seja, a corrupção legalizada no seu mais alto nível, numa escala nunca imaginada. O pior é ver que as pessoas envolvidas neste pesadelo são aquelas investidas em prolongá-lo para seu próprio benefício, como nos casos de Paulo Guedes e Branco Neto.  Vale mencionar o que disse o professor de sociologia Brooke Harrington, de Dartmouth: os paraísos fiscais não são para evitar impostos, mas eles existem para ajudar as elites evitarem as regras da lei que elas impõem sobre nós. É uma indústria que gera e aumenta muito a desigualdade econômica e política, desestabilizando o mundo.

O que se observa no momento é que os efeitos destes paraísos fiscais despertaram significativamente a opinião pública em ver os efeitos negativos do não pagamento de impostos, que embora legal, é considerado imoral e não patriótico. Isto está fazendo o que os políticos não fazem – manter as pessoas mais ricas e poderosas do mundo na corte da opinião pública. Por uma questão de ética e patriotismo, Paulo Guedes e Campos Neto devem abandonar seus cargos, mesmo com o apoio da maioria da classe política, que será julgada nas próximas eleições.



 

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A insustentabilidade do agronegócio no Brasil ficou bem evidenciada depois que entidades do setor publicaram um manifesto defendendo a democracia e fazendo “um chamamento para colocar os adultos na sala” para discutir a crise política. Isto deveria ter sido feito há muitos anos, num setor responsável pela concentração de terras, de frigoríficos, insegurança alimentar, escravidão e vários outros indicadores que impedem a soberania do nosso sistema alimentar e uma política de desenvolvimento de um mercado doméstico, com sistemas de distribuição localizados e cadeias de distribuição transparentes.

Com base no manifesto e declarações do Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), senhor Marcelo Brito, que diz não falar pelo agronegócio, chegou a hora de separar o joio do trigo no agronegócio. Fora a ABAG, poucas entidades participaram do manifesto. São empresas mais ligadas ao setor da agroindústria e que tem dado sinais de preocupações com a inovação e sustentabilidade. Sempre mostramos neste blog que a agroindústria é um dos setores do agronegócio que pode avançar em termos de uma indústria moderna, inovadora e sustentável, mas nada adianta se os demais setores percorrem o caminho insustentável. 

O presidente da ABAG, Marcelo Brito, reconhece que “o Brasil vem sendo cobrado internacionalmente pela falta de compromisso com a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade” e contraria os argumentos do presidente Bolsonaro ao afirmar que o “agro não precisa de terra indígena para crescer”. Disse ainda “Eu não vi nenhum estudo sério mostrando isso”.

O parágrafo acima merece uma reflexão no contexto atual, que nos leva a parábola bíblica do joio e trigo. De um lado, observa-se o agronegócio insustentável e de elevada toxidade, promovido principalmente pela banda ruralista, que impede a paz no campo, sustentabilidade e a segurança alimentar do país, entre outros, mantendo o colonialismo, escravidão e desigualdades sociais. São estes ruralistas, que agem como os senhores de engenho do passado, defendendo o marco temporal das terras indígenas, considerando como terra indígena apenas a que era ocupada no ano da promulgação da Constituição de 1988. Não consideram que os índios foram antes expulsos de suas terras, sofrendo topo tipo de atrocidades e chacinas praticado por colonizadores cruéis.  A violência histórica deste país está no campo.

Do outro lado, podemos observar um dos setores do agronegócio, como o da agroindústria, falando de um agronegócio que o país precisa e, possivelmente, de uma democracia erguida em cima do bem-estar social, da participação e da inclusão. Muitos dos que estão falando de defesa da democracia, estão defendendo nada mais do que uma submissão cúmplice aos interesses econômicos. Estes grupos deveriam estar envergonhados e os políticos, já vistos como mercenários subservientes, devem ser constantemente listados.

É lamentável que alguns políticos e até pesquisadores utilizem métricas tão inadequadas para analisar o agronegócio no Brasil, considerando apenas o grande volume de exportações, sem encarar os pontos tóxicos do chamado agro pop. Algumas organizações do agronegócio divulgam publicidades falsas tentando mostrar que são socialmente responsáveis e praticam a sustentabilidade, a exemplo do agro pop. O agro não é pop. O agro já é visto como tóxico. Muitos alegam que o Brasil alimenta o mundo. Isto não é verdade, como já foi dito, e não existe nenhum mérito nesta afirmação, até porque boa parte de nossa produção de alimentos é usada para ração de bichos.

Já vem sendo denunciado que as grandes cadeias de suprimento de carnes, por exemplo, são uma grande ameaça à saúde pública, como se evidenciou com o surgimento da Covid-19. Isto já tinha acontecido no passado com a gripe suína e a doença da vaca louca, que acaba de surgir no Brasil. Provavelmente veremos isto no futuro com outras doenças e a resistência a bactérias, diante do uso excessivo de antibióticos. Mas não é só isto. Outras ameaças a estas cadeias de suprimento estão surgindo, a partir do desmatamento da Amazônia. Alguns já estão prevendo que a crise energética no setor será pior do que a crise da Covid-19.

Para enfrentar as toxidades do agronegócio no Brasil e o desmatamento da Amazônia, a comunidade internacional está elaborando leis para serem usadas contra as cadeias de suprimento que não protegerem as florestas e as pessoas. Neste sentido, o desmatamento deve ser combatido e o os direitos das populações indígenas protegidos. No mínimo, devem surgir leis regulando a importação de produtos agrícolas exigindo que as empresas assegurem que seus produtos não estão associados com atos de violência, intimidação da população indígena e abuso de seus direitos e uso de suas terras.

É lamentável que no Brasil tenhamos a maior corporação do mundo em distribuição de carnes, JBS, que, junto de outras como Marfrig, Global Foods SA e Minerva sejam apontadas como tendo em suas cadeias de suprimento a marca do trabalho escravo. Empresas financiadas pelo dinheiro público deveriam dar um bom exemplo de responsabilidade social e de proteção dos direitos humanos. Falar em alimentar o mundo, sem alimentar a população de seu país e ainda usá-la em trabalho escravo é uma ação criminosa.

No dia de hoje, dia da Amazônia, vamos nos unir aos que estão condenando os fundamentos do marco temporal das terras indígenas e esperamos que a lista de empresas defensoras do real e verdadeiro agronegócio do país, com responsabilidade social e ações sustentáveis venha aumentar, ampliando nossa democracia e um futuro melhor.  


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Nossos congressistas parecem ter entendido que o voto impresso, apesar de ser um instrumento de se auditar e verificar o voto do eleitor, é quase inútil para a segurança das eleições. O importante mesmo é descobrir a caixa pretas das eleições e o voto impresso pouco ajuda nesta tarefa. Independente de tecnologia, nenhuma eleição é completamente segura. Ataques às urnas, vandalismos e intimidação sempre fizeram parte de nossas eleições, levando alguns à prisão. A ameaça real às eleições vem quando votos são alterados sem que sejam detectados.

Além de não trazer transparência e segurança, o voto impresso aumenta os custos e complexidade das eleições. As impressoras agregadas às urnas acarretam elevados custos de aquisição e manutenção, incluindo papel e tinta. Com as falhas de impressoras e outros inconvenientes, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sabe que o voto impresso tira o prestígio e poder da instituição, que não mais poderá oferecer o resultado das eleições em poucas horas. Assim sendo, a eficiência do voto eletrônico deixa de existir e o resultado das eleições poderá levar dias ou até meses para ser proclamado, diante de inúmeras ações judiciais que poderão surgir com o voto impresso. Os dotados de más intenções farão um bom proveito.

Uma lição que devemos aprender vem dos Estados Unidos, quando se observa os resultados das últimas eleições. Mesmo com o voto impresso de urnas eletrônicas em alguns Estados, não foi suficiente para melhorar a credibilidade dos resultados. Pesquisa realizada logo após as eleições mostra que mais de 30% (trinta por cento) dos eleitores americanos não sentiram a confiança de que as eleições foram razoáveis e livres.

Eleições devem ser construída e conduzidas de modo que todos (candidatos ganhadores e perdedores), bem como os apoiadores possam ter uma elevada confiança de que os resultados refletem os desejos dos eleitores. Sem isto, a democracia está comprometida. No Brasil é possível que mais de 20% (vinte por cento) dos eleitores desconfiem de nossas urnas eletrônicas. Dizer que nunca foi visto nada errado nas urnas eletrônicas e eleições, sem conduzir uma investigação, é um precedente perigoso. Dizer que não conhece, mas vai ser investigado, parece mais sensato.

Durante as últimas quatro décadas, os cientistas de computação têm defendido a confiança e segurança dos sistemas eleitorais e mantém a responsabilidade de alertar sobre as vulnerabilidades do voto eletrônico, propondo soluções. Com o desastre das eleições americanas, no ano 2000, foram criados padrões de segurança para as tecnologias de voto eletrônico, os quais foram contrariados ou impedidos pelos vendedores de urnas eletrônicas, que queriam continuar vendendo suas velhas tecnologias, mantendo códigos secretos de software, evitando qualquer tipo de auditoria de urnas eletrônicas obsoletas e repletas de vulnerabilidades, que continuaram sendo vendidas.

Assim sendo, as vulnerabilidades de urnas eletrônicas nos Estados Unidos vinham sendo apontadas por gurus da computação, desde há muito tempo. Foi preciso se chegar à Conferência de Hackers em 2019 (DEFCON 2019) para os vendedores de urnas eletrônicas, depois de severas críticas, principalmente de congressistas, dizerem que estariam abertos para as novas regulamentações federais que viessem fortalecer a confiança sobre a segurança de seus produtos. Na Conferência acima citada, os hackers tiveram acesso a 100 urnas eletrônicas de diferentes partes do país e mostraram que todas elas eram vulneráveis e comprometidas, por alterar o total de votos, mudar o voto do eleitor de um candidato para outro, alterando o software que controla a máquina. Estas vulnerabilidades estavam presentes nos sistemas em uso, sendo que partes das máquinas eram fabricadas na China e outros países.

Juízes brasileiros contrariam o que tem sido demonstrado por alguns de nossos cientistas da computação, em termos de vulnerabilidades de nosso sistema de voto eletrônico. Algumas questões precisam ser respondidas, como por exemplo: Será que os vendedores de urnas eletrônicas ao Brasil permitem que uma amostra de 200 ou 300 delas sejam entregues a hackers nacionais e internacionais para se averiguar a segurança delas? Estamos usando uma tecnologia nova ou obsoleta e insegura? Quem define os padrões de fabricação de nossas urnas, sendo elas fabricadas e vendidas por corporações americanas? Existem partes de nossas urnas fabricadas na China ou outros países, que podem afetar a segurança nacional?

Com as dúvidas levantadas sobre o nosso sistema de votação, incluindo as do Presidente da República, o momento é mais do que oportuno para o Congresso Nacional definir algumas reformas de nosso sistema de votação, não só criando um órgão nacional que venha definir os padrões de nossa tecnologia de voto eletrônico, em sintonia com outros organismos internacionais. Antes de aprovar fundos para compra de urnas eletrônicas, o Congresso deve aprovar fundos para programas pilotos que venham testar e avaliar novas tecnologias de votação. Uma drástica mudança da administração das eleições no país é mais do que necessária, incluindo uma maior participação dos partidos políticos e membros da sociedade, visando reforçar uma maior fiscalização das eleições e das tecnologias utilizadas.

Infelizmente, algumas entidades que antes não demonstraram preocupações com nossa democracia estão agora defendendo o voto eletrônico e a democracia. No fundo, o que elas querem defender mesmo são as corporações fabricantes e vendedoras de urnas eletrônicas, que sempre venderam suas bugigangas sem preocupação com a segurança das eleições. Isto só nos leva a aumentar o descrédito do nosso sistema de voto eletrônico.  

Eleições livres e abertas são os marcos de uma democracia moderna. Se o Brasil quiser ser um líder mundial de eleições razoáveis, seguras e democráticas, deve estar sempre comprometido com as melhorias de seu sistema de votação e não continuar usando tecnologias do século passado. O Congresso Nacional, junto dos Estados, da sociedade, entidades acadêmicas e os cientistas da computação podem restaurar a confiança dos eleitores e melhorar a segurança, confiança e credibilidade de nossas eleições.


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Há mais de dez anos atrás publicamos trabalho com professores da Inglaterra e Canadá, mostrando os riscos do voto eletrônico para a democracia no Brasil, o qual foi bastante divulgado no exterior (E-voting in Brazil – The Risks to Democracy), num momento em que se discutia muito o voto eletrônico, principalmente na Inglaterra e Holanda, que baniram as iniciativas de uso desta tecnologia. No momento estamos vendo o próprio Presidente da República apontando os riscos e ameaçando a democracia.

Na época, imaginávamos que as tecnologias de voto eletrônico podiam se tornar mais seguras e confiáveis num futuro próximo e poderiam ser adotadas em vários países. Infelizmente, a literatura continua mostrando que os países de fortes tradições democráticas não estão usando os sistemas de votação eletrônica, por conta das preocupações com a falta de segurança destas tecnologias. Não existem sistemas computacionais livre de erros, principalmente um sistema de votação eletrônica e a tecnologia existente não oferece as condições necessárias para um sistema confiável, adequado e seguro.

Há poucos meses pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) publicaram trabalho no Journal of Cybersecurity mostrando que o voto de papel ainda é o mais seguro, diante de inúmeras vulnerabilidades do voto eletrônico. Para eles existe uma inclinação natural, embora errada, de substituir os métodos do voto de papel pelas últimas tecnologias digitais. Consideram ainda que quanto mais sofisticada for a tecnologia, mais inseguro se torna o voto eletrônico, a exemplo do voto pela internet. Isto contraria as afirmações de juízes brasileiros, que sempre defendem a segurança do voto eletrônico.

Embora diferente do voto eletrônico na perspectiva de segurança, as tecnologias de compras online e do sistema bancário são tolerantes com suas falhas, que sempre acontecem. As fraudes de cartão de crédito, roubos de identificação e vários outros acontecem. Isto não é só tolerado, mas absorvidos por empresas de seguros, que tem interesses econômicos nisto. No caso do voto eletrônico não se tolera erros ou fraudes, que também podem acontecer. Não se fala em indenizar o eleitor que pode ter perdido seu voto ou o candidato que deixou de se eleger.  

Nunca existiu uma discussão democrática sobre o voto eletrônico no Brasil. O Congresso Nacional parece pouco se interessar pelo assunto, de modo que muitas das questões sobre a história do voto eletrônico no Brasil ainda não foram respondidas. De que formas, se existem, podem as democracias mais frágeis e menos maduras ser apoiadas por sistemas de voto eletrônico? O que se sabe é que diante da falta de um mercado de tecnologia de voto eletrônico nos países desenvolvidos, por conta da resistência em usá-las, as corporações fabricantes de urnas eletrônicas se voltaram para os países em desenvolvimento. O mesmo acontece com a indústria farmacêutica, quando seus produtos não são aprovados nos países desenvolvidos.

O momento é oportuno para se discutir o voto eletrônico no país. É inaceitável que a discussão fique entre juízes do TSE, dizendo que as urnas são seguras e o Presidente Bolsonaro defendendo o voto impresso, ameaçando a democracia. Depois de mais de vinte anos de voto eletrônico, o Brasil deveria ter uma abundante literatura sobre o tema. É quase inexistente. A questão do voto impresso já deveria estar claramente explicitada. Insegura ou não, a próxima eleição deve ser realizada com a tecnologia aprovada pelo Congresso. O que se espera é que se comece a discutir uma tecnologia segura, confiável e de custos condizentes com as condições econômica do país.

A questão do voto impresso tem sido amplamente discutida nos Estados Unidos, embora não exista nenhuma previsão de quando será aprovado e tornar-se lei, se é que vai. O voto impresso é um dos instrumentos de se auditar o voto do eleitor, embora esta auditagem possa afetar as exigências de o voto ser secreto. Infelizmente, auditar o voto não permite que o eleitor verifique o resultado da eleição.

A urna eletrônica pode oferecer três diferentes garantias ao eleitor: primeiro, que o voto foi registrado; segundo, que a máquina registrou corretamente o voto do eleitor; e terceiro, que o voto foi computado na totalização dos votos. Sem esta última propriedade, as duas primeiras têm pouco valor. As duas primeiras propriedades desvendam a caixa preta de votar, mas permanece a caixa preta do resultado das eleições. Neste caso, o voto impresso pode ser a fraude das fraudes.

É preciso compreender que a segurança da urna eletrônica depende de muitas organizações. As falhas podem ser introduzidas pelo vendedor do software, do hardware, fabricante ou dos que oferecem códigos para estas organizações. Tem-se que levar ainda em consideração as condições geopolíticas – onde as urnas são fabricadas. Já tivemos fabricantes de urnas eletrônicas, que foram apoiadores de candidatos a Presidente nos Estados Unidos.

A urna eletrônica é uma tecnologia complexa, que contém bugs como as demais, sendo suscetível a fraudes. Não encontrar fraudes ou falhas nas eleições, não significa que as urnas sejam seguras. Esta questão nunca foi discutida no Brasil, mas se trata de um processo complexo, pois exige muitos recursos, uma boa equipe de especialistas, além do consentimento e cooperação dos vendedores de urnas, fabricantes e outras organizações, que nem sempre permitem que suas tecnologias sejam testadas. O ex-candidato Aécio Neves já passou por isto e agora Bolsonaro, a quem é exigido provar que houve fraudes nas eleições passadas, o que é impossível.  

Neste caso, ou avançaremos para convencer a sociedade sobre as falhas do voto eletrônico ou continuaremos supondo que ele é seguro com suas falhas e bugs, comprometendo a democracia e confiança do eleitor. O exemplo está aí. 

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O livro da repórter Vivien Pitz, do Tribunal do Juri dos crimes da II Guerra Mundial, em Nuremberg na Alemanha, traz um extenso relato de crimes arrepiantes, chocantes e horrorosos de alguns médicos durante e guerra. Denominado de Médicos do Inferno (Doctors from Hell), o livro escrito há mais de dez anos descreve os horríveis experimentos em humanos, com o propósito de matar, mostrando-nos o nível a que chegou a ética médica e o lado escuro da decadência moral.

O pior, tais médicos não demonstraram nenhum remorso pelo que fizeram. Como profissionais altamente qualificados praticaram experimentos tão chocantes com pessoas? Para Vivien Pitz temos que continuar denunciando demônios, de modo que os outros não esqueçam. Sempre informou aos seus ouvintes tais crueldades, a diferença entre o bem e o mau e o silencio de alguns, insistindo que as lições do passado não sejam esquecidas.

Os ecos em experimentos humanos tornaram-se uma constante desde o ano passado, quando o presidente Bolsonaro intensificou uma campanha orientando o Kit Covid ou tratamento precoce, constituído basicamente por ivermectina, azitromicina e hidroxicloroquina. São diversas as controvérsias sobre o uso destes medicamentos, mas o presidente, longe do código de ética médica e do código de Nuremberg, convenceu muitos a embarcarem numa aventura de falsa cura. O secretário de Justiça, Família e Trabalho do Paraná, Ney Leprevost, que perdeu o pai por conta do tratamento precoce, chegou a afirmar que tanto o seu pai como “outros inúmeros casos de pessoas que acreditaram nesses medicamentos após declarações de Bolsonaro”.

É muito estranho a forma como surgiu o tratamento precoce no Brasil. sem comprovação científica e criticado por várias entidades médicas, depois de se saber que só através de vacinas seria possível combater o coronavírus. Apesar do incentivo de alguns profissionais médicos em usar este coquetel de medicamentos, são vários os relatos de médicos mostrando o agravamento e as complicações de pacientes que se submeteram ao tratamento precoce.

Por conta disto, o seu uso intensivo no Brasil precisa ser investigado pela Polícia Federal e todos os órgãos de justiça, lembrando que a discussão sobre a ética aplicada à saúde precisa ser intensificada, envolvendo filósofos, teólogos, sociólogos, advogados e a sociedade como um todo, usuária do sistema de saúde. As críticas de renomados profissionais médicos brasileiros ao Conselho Federal de Medicina (CFM) pela inércia e omissão não podem ser silenciadas. Alguns já estão vendo o tratamento precoce como um crime, que não parece ser pequeno.

È preciso investigar as razões pelas quais as compra de vacinas foram negadas, enquanto se incentivava o tratamento precoce. A CPI instalada está dando uma boa contribuição para se desvendar muitas coisas absurdas, mas não pode enveredar pelo caminho de achar que se buscava uma contaminação em massa ou imunidade de rebanho. Nada disto. Estamos diante de algo pior, pois a imunidade de rebanho se dá através do uso de métodos científicos. Nada disto parece ser identificado neste caso. É primordial investigar a relação entre o tratamento precoce e a indústria de saúde, onde já se observa, em alguns casos, crescimento de mais de mil por cento.

Urge, pois, analisar as estratégias deste governo profundamente. Não fossem o STF e a coragem de alguns governadores talvez já estivesse registrado alguns milhões de mortes. É preciso analisar as ações contra o distanciamento social, os ataques a governadores e prefeitos que defendiam algumas restrições, o veto às máscaras e lockdown, o boicote à compra de vacinas e outras imposições à empresa Pfizer e ao Instituto Butantã. Isto não tem nenhuma relação com contaminação em massa ou imunidade de rebanho. Daí a necessidade de aprofundar as investigações orientadas para os efeitos destes experimentos em humanos.

A médica Nise Yamaguchi, grande defensora do tratamento precoce, ao minimizar o sofrimento dos judeus perante a máquina de matar de Hitler, deixou claro que não se deve ter medo do vírus. Daí se conclui, que muito menos do tratamento precoce enquanto experimento em humanos. Lembrar que Hitler usou a Eutanásia como a mais arrepiante, tenebrosa e criminosa máquina de matar judeus, deficientes físicos e doentes mentais. Quando se trata de experimentos em humanos, não podemos esquecer as crueldades do passado, como bem disse Vivien Pitz.

Por fim, a sociedade brasileira tem que enfrentar seus mitos e demônios para sair do estágio em que estamos, a exemplo do que fez a Alemanha, hoje um exemplo para o mundo por ter enfrentado seus demônios. Com sua democracia, é uma nação estável, próspera e decente no mundo. Tem seus problemas, mas soube prestar conta de seus demônios. Quem visitou a Alemanha nos últimos 70 anos, não viu só os museus ou o Holocausto. O país tem mais de 75 mil pontos, mostrando as atrocidades de seus demônios e a confrontação com o horror. Nos Estados Unidos, que adoram seus mitos, vimos o “Make America Great Again” quase levar o país a uma desgraça.

Se não quisermos continuar na desgraça, temos que destruir mitos e enfrentar demônios, como fez a Alemanha. Com quase 600 mil mortes, não podemos silenciar diante do eco dos horrores de experimentos humanos, traduzido aqui pelo tratamento precoce engendrado pelo governo, empresários e alguns profissionais médicos. 

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Reconhecendo o amplo uso da mídia social e o crescimento exponencial da tecnologia digital, organizações reputáveis e as pequenas e médias empresas (PMEs) começaram uma transição das ferramentas tradicionais de marketing para as plataformas de mídia social, visando alcançar novos mercados para o crescimento de seus negócios. Tais empresas introduziram seus negócios através das mídias sociais visando obter maior atenção dos consumidores.

Todavia, uma das preocupações debatidas é sobre como produtos e serviços estão sendo promovidos online e, ao mesmo tempo, relacionados ao marketing sustentável, considerando que muitos consumidores gostariam de visualizar nos negócios online fatores essenciais que refletissem a sustentabilidade. Neste caso, as PMEs começaram a analisar alguns alertas, que contribuem para desenvolver a mídia social de acordo com o comportamento e percepções dos consumidores. Assim sendo, o marketing sustentável é de fundamental importância na elaboração de estratégias das PMEs para promoção de seus produtos, observando os principais elementos considerados vitais em termos de se ganhar maior atenção deles.

A Sustentabilidade tornou-se parte de muitas disciplinas e, em marketing, não é diferente. Aliás, marketing foi uma das primeiras disciplinas a tratar de questões ambientais e ecológicas, através do chamado marketing ecológico, no século passado, embora na visão tradicional de marketing, que difere do marketing sustentável. Embora o marketing sustentável tenha avançado muito em relação ao pensamento tradicional e dominante de marketing, as pesquisas em marketing sustentável são ainda limitadas e carentes, principalmente em áreas como mudanças climáticas, saúde etc. Alguns países já começam a estudar o marketing de mudanças climáticas junto da área de comunicação, mas é reconhecido que a falta de informação, tanto dentro como fora das empresas, ainda é a grande barreira em se estudar a sustentabilidade de marketing.

Na última década, as mídias sociais e a sustentabilidade desempenharam um papel muito importante na melhoria da gestão dos negócios. Juntas, contribuíram para direcionar as empresas para a transparência, abrindo oportunidades para aumentar seus compromissos, forçando as organizações reposicionarem seu papel na sociedade, na tentativa de alinhar os indivíduos, empresas e comunidades em direção aos objetivos comuns. Em geral, a sustentabilidade de marketing envolve o estabelecimento e manutenção de relações sustentáveis dos consumidores.

Baseado nas atuais tendencias da existência digital e os recursos online, muitas das PMEs estão buscando caminhos que as levam a envolver as mídias sociais, adotando estratégias que vem alcançando atenção do consumidor. Pesquisas estão mostrando que os consumidores estão dando respostas positivas ao marketing sustentável, da mesma forma que estão apreciando às estratégias de produtos orgânicos. Trabalho recente da OECD apresenta as políticas de resposta ao Covid-19, a serem adotadas para as PMEs, que estiveram no centro da Pandemia e, um ano depois, permanecem em posição ainda mais precárias, principalmente empresas iniciantes, microempresas e negócios liderados por mulheres.

As PMEs dos ramos de transporte, varejo, alimentos e imobiliários, que representam em torno de 75% da empregabilidade em muitos países, foram as mais afetadas. Por terem uma base de empregabilidade em torno de 70%, em geral, as PMEs devem ser contempladas por políticas de apoio não só financeiro, mas várias outras que ajudem na recuperação nesta era pós-Covid-19. Uma destas políticas enfatiza a digitalização das PMEs como pedra fundamental de recuperação. Para os marqueteiros, as ferramentas de mídias sociais já vêm sendo usadas por algum tempo, mas não tanto na área de sustentabilidade. As mídias sociais são muito mais do que ferramentas do marketing tradicional. São plataformas poderosas que levam ao engajamento de questões críticas, historicamente nunca ouvidas, que podem ser exploradas pelo marketing sustentável.

Os sistemas de informações tradicionais são iguais para todas as empresas e os sistemas de informação de marketing tradicionais não entregaram o que prometeram, mas cada uma das mídias sociais tem suas próprias especificidades que precisam ser avaliadas pelas empresas no âmbito do mercado. Alguns estudos precisam ser elaborados para se estabelecer que fatores são essenciais para serem adotados nas estratégias de marketing sustentável, acompanhando as preferências dos consumidores e os aspectos das mídias sociais que possam ser integradas nestas estratégias. Em resumo, as PMEs devem buscar entender primeiramente a importância da sustentabilidade e depois tentar promover produtos e serviços eficientes no mercado.

Não há provas de que as mídias sociais e a sustentabilidade sejam uma força tremenda para mudanças positivas, mas é tempo de entender como usá-las em conjunto, considerando suas influências na competitividade das PMEs nos dias de hoje. Além disto, seria benéfico para as PMEs explorar as plataformas de média social de seus competidores a fim de entenderem as lógicas e estratégias que são usadas para influenciar o comportamento dos consumidores em geral, com o propósito de gerar lucros e alcançar a sobrevivência e objetivos da empresa. Aliado às mídias sociais, a sustentabilidade de marketing já é percebida como sendo de grande importância para as PMEs.

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