Fonte: Senado Federal           

É comovente, emocionante e doloroso quando se lê o registro de momentos concretos e acessíveis de troca de mensagens em pessoa, quando não se é mais possível fazê-la. Estamos falando das últimas palavras ou troca de mensagens entre os que se foram com a Pandemia e seus familiares. Momentos horríveis por se tratar de registros quando se tinha de morrer sozinho, longe de familiares, sem ouvir uma palavra de conforto.  

Mensagens como esta: “Estou sem condições de respirar mais e vou ser intubado e não sei se voltarei” e várias outras foram publicadas pela imprensa americana, com o consentimento de familiares dos que se foram durante a Covid-19, depois de dois anos, quando os Estados Unidos se preparavam para chegar ao deprimente e sombrio marco de um milhão de mortes da Covid-19, mostrando o terrível momento por que passaram milhões de famílias.

É duro ler os registros destes últimos momentos – profundamente comoventes, devastadores na intimidade e profundamente humano. O propósito foi trazer uma realidade, mostrando que a Pandemia foi real e que os que morreram deveriam ser lembrados e memorizados. Muitos disseram que tinham a esperança de que tais mensagens podiam tornar a Pandemia ser sentida como real, principalmente para os que não tiveram a experiencia de dias difíceis e, em alguns casos, para os que acham que um milhão de mortes ainda não é o bastante para se acreditar.

No Brasil, também depois de dois anos, a dor de milhares de famílias é uma realidade semelhante ao que foi comentado acima e o registro de troca de mensagens entre os que se foram e seus familiares, depois de mais de 665 mil mortes deve ser tão comovente quanto o que comentamos acima. O mais difícil no Brasil talvez seja tornar a Pandemia uma realidade, quando temos um Presidente que a classificou como uma “gripezinha” e menosprezou a vacina, não só deixando de adquiri-la no tempo apropriado, mas considerando que as pessoas podiam se tornar jacarés.   

Ainda hoje Bolsonaro continua desacreditando as vacinas, quando as provas em todo o mundo mostram claramente que a salvação de muitos, em vários países, foi graças a vacina. Infelizmente, a maioria dos fãs do presidente acredita no que ele diz. Isto, sem dúvida, dificulta tornar a Pandemia uma realidade para muitos, mesmo que alguns deles estejam morrendo por conta disto.

Comenta-se que Bolsonaro avançou em seu desejo de levar multidões de defuntos às covas. Como deputado, defendia que a ditadura deveria ter matado 30 mil. Agora, como presidente, os comentários são de que nesta Pandemia “ajudou despachar mais de 100 mil para a cova”, sendo 30 mil de seus seguidores. A CPI da Covid apontou várias denúncias contra este governo, mas, infelizmente, até o momento a justiça brasileira não se pronunciou sobre tais denúncias.

Com um milhão de mortes nos Estados Unidos e 665 mil no Brasil (os dois campeões de mortes da Covid-19), o percentual de mortes por 100 habitantes nos Estados Unidos é menor do que no Brasil. Mesmo assim, é vergonhosa a estatística de mortes da Covid nos dois países. Ao politizarem a Pandemia, tanto Trump como Bolsonaro são os maiores responsáveis por este desastre. A diferença entre os dois é que Trump investiu muito em vacinas, mas, por outro lado, ajudou desacreditá-las. Bolsonaro, por sua vez, atrasou a compra de vacinas, levando muitos à morte, e ainda hoje desacredita as vacinas.

O índice de vacinação no Brasil ainda é muito baixo e, por conta disto, pode-se dizer que o vírus não está sob controle. Ainda corremos um grande risco com o surgimento de uma variante que atinja um bom percentual da população brasileira. Muitas mortes podem ainda acontecer, considerando que só os idosos conseguiram alcançar um bom nível de vacinação. Tentando ofuscar a imagem negacionista de Bolsonaro, o Ministério da Saúde tenta, intempestivamente, decretar o fim da emergência sanitária. Se tivessem ouvido as últimas palavras do sofrimento dos que se foram, não fariam isto, evitando mais mortes.

Notícias recentes mostram que só 30% dos jovens até 24 anos tomaram a terceira dose da vacina e, no geral, o nível de vacinação com a terceira dose está abaixo de 50% da população. Isto mostra os riscos que o país corre. A comunidade científica já considera que uma vacinação adequada se dá após a terceira dose. A quarta dose já foi sugerida para idosos acima de 75 anos em vários países, mas por conta do aumento de casos, a quarta dose está sendo sugerida para pessoas acima de 50 anos. No Brasil, os Estados com maiores índices de vacinação (São Paulo, Ceará, Paraíba e Piauí) ainda não atingiram 80% da população totalmente vacinada.

665 mortes devem ser sentidas por todos os brasileiros, que devem escarar a Pandemia como uma realidade que levou ao sofrimento milhares de nossos irmãos, morrendo nas condições mais terríveis da história. O que disseram os que se foram antes da morte? Saber disto de seus familiares pode levar muitos a mudarem de ideia sobre a realidade da Pandemia. Vamos incentivar a comunidade científica a encontrar o vírus de outros animais e criar uma vacina universal. Não vamos embarcar nos que buscam o caminho do obscurantismo e da crueldade. 

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Fonte: Rel Ruita                 

O Congresso dos Estados Unidos acaba de divulgar relatório mostrando que no auge da Covid-19, o lobby da indústria de carnes, representado por grandes empresas tais como Tyson Foods, Smithfield Foods, JBS, Cargill e National Beef enganou o governo de Donald Trump e conseguiu o bloqueio de medidas de saúde pública que poderiam ter salvado muitas vidas durante a Pandemia.

A enganação foi de que as medidas de restrições da Covid-19 não deveriam atingi-las, sob pena de desabastecimento de carne no país. Porém, pelo que foi divulgado, o mercado interno dos Estados Unidos não sofria nenhum risco de desabastecimento. Atiçando o medo, o que os produtores de carne queriam mesmo era não parar suas atividades, visando grandes lucros com volumosas exportações de carne para a China.  Assim sendo, conseguiram o bloqueio de medidas de saúde pública, quando muitas mortes se tornaram obscuras para as autoridades de saúde.

A ordem proposta pelas empresas Smithfield e Tyson era uma tentativa ostensiva de anular os órgãos de saúde pública e forçar os trabalhadores destas empresas, que em geral são imigrantes e refugiados, a continuarem trabalhando sem as proteções adequadas, enquanto se mantinha a blindagem delas de ações judiciais. O presidente do subcomitê do Congresso americano, James Clyburn, condenou a conduta dos executivos destas empresas e aliados do governo como vergonhosa.

O relatório mostra o quanto foi intenso o esforço dos executivos destas empresas e de representantes do governo Trump em parar as medidas de segurança e saúde pública como em dissuadir os trabalhadores da ideia de ficarem em casa com medo da Covid-19. Tais empresas pediram que o Presidente Trump ou seu vice transmitisse para os trabalhadores que “ter medo da Covid-19 não é uma razão para deixarem o trabalho e se tornarem elegíveis para benefícios de desemprego”.   

Estas perversidades desumanas não estão alinhadas com os valores de uma sociedade civilizada e tais empresas colocaram os lucros acima da segurança de seus trabalhadores. Numa das manifestações de trabalhadores da JBS, em junho de 2020, observa-se o que está escrito num dos cartazes: “JBS cuida mais de seus lucros do que de seus trabalhadores”.

À medida que a Covid-19 se expandia, os produtores de carne foram informados sobre o elevado risco de transmissão em suas instalações. A situação chegou a tal ponto que um médico do setor de saúde, próximo das instalações da JBS, em Cactus, Texas, escreveu um e-mail para um dos executivos da empresa dizendo: “100% de todos os pacientes com Covid-19 que temos no hospital são seus empregados ou membros da família deles”, alertando que “seus empregados ficarão doentes e podem morrer, se esta fábrica continuar aberta”.

Portanto, o relatório, com mais de 150 mil páginas de documentos coletados da indústria de carne, mostra um quadro assombroso de um setor que inclui matadouros e fábricas de processamento, sendo um dos mais lucrativos e perigosos nos Estados Unidos. É um monopólio de negócios, representado por meia dúzia de multinacionais poderosas, dominando a cadeia de suprimentos que, mesmo antes da Covid-19, já produziam péssimas notícias para os fazendeiros, trabalhadores, consumidores e bem-estar dos animais.  

A JBS tem suas origens no Brasil, tendo a sua expansão se dado com financiamento de recursos públicos do BNDES, juntamente com outros grandes frigoríficos do país. Não se tem ainda uma análise dos custos e benefícios dos bilhões de reais que irrigaram o crescimento dos grandes produtores de carne no Brasil.

 A CPI daCovid levantou várias denúncias contra a gestão da Pandemia no país, mas deixou de fora os produtores de carne, quando se sabe que podem ter contribuído e muito para disseminar o vírus. Não se sabe ainda dos resultados de várias denúncias da justiça do trabalho contra a JBS e, até que ponto, os órgãos públicos facilitaram suas atividades de exportação, como aconteceu nos Estados Unidos. 

Várias informações precisam ser produzidas no Brasil e algumas respostas precisam ser dadas às seguintes questões: Qual foi o nível de exportação dos grandes frigoríficos brasileiros? Quantos trabalhadores destes frigoríficos morreram durante a pandemia? Será que os grandes frigoríficos priorizaram o aumento de produção em detrimento da saúde da população brasileira durante a Pandemia? Será que estas empresas cumpriram com as restrições de saúde pública? Estas e outras questões precisam ser respondidas pelos órgãos públicos. 

  Fonte: Rel Ruita                  O Congresso dos Estados Unidos acaba de divulgar relatório mostrando que no auge da Covid-19, o lobby da...

 

Fonte: Folha da Região                     

Um governo militarizado e caracterizado por fake news, orçamento secreto, Centrão, uso indevido das forças armadas e outros males, não precisava usar as urnas eletrônicas para práticas golpistas. Aliás, as forças armadas foram usadas também pela Justiça Eleitoral, quando da indicação de um general para a direção das eleições no país. Diante disto, ao invés de serem protagonistas do processo eleitoral, o uso indevido das forças armadas colocou-as numa situação complicada, quando vistas como golpistas.

É lamentável as circunstâncias em que estão se dando as discussões de segurança das urnas eletrônicas no país. A Justiça Eleitoral deu um grande passo ao criar sua comissão de transparência e as forças armadas deram sua contribuição apresentando sete sugestões, as quais foram todas rejeitadas pela Justiça Eleitoral. É compreensível que tais sugestões não possam ser implementadas nas eleições em curso, mas é preciso que a comissão de transparência avalie a possibilidade de implementá-las ou não nas eleições futuras. Realmente, querer modificar os processos eleitorais no momento cheira a golpe.

As questões número 1 sobre amostras e número 4 sobre fiscalização e auditoria, apresentadas pelas forças armadas, parecem pertinentes, conforme discutidas na literatura. A meu ver, nem as forças armadas nem outros membros da comissão tocaram em pontos cruciais, que podem afetar a segurança das urnas eletrônicas, não mencionando quem são seus fabricantes, ano de fabricação, país em que são fabricadas e origens dos diversos componentes das urnas eletrônicas. Saber o ano de fabricação de nossas urnas é fundamental, considerando que os vendedores em geral continuam vendendo velhas tecnologias inseguras.

A literatura mostra que a atualização da tecnologia de votação é algo muito complexo e os vendedores destas tecnologias resistem em atualizá-las, depois de décadas. Atualmente, o comportamento deles é vago e os desincentivos gerados contribuem para se adquirir tecnologias de voto eletrônico que não avançaram do ponto de vista tecnológico. Considerando que sistemas de votação fazem parte da infraestrutura de nossa democracia, sistemas com software ultrapassado devem ser uma preocupação de todos nós. No atual ambiente de ameaças é um risco de segurança inaceitável usar tecnologias ultrapassadas.

Não adianta a Justiça Eleitoral e políticos em geral dizerem que as eleições são confiáveis, quando os cientistas da computação e outras organizações têm alertado sobre as vulnerabilidades dos sistemas de voto eletrônico. Por esta razão tais sistemas devem se tornar cada vez mais transparentes, sendo constantemente auditados e investigados. Já foi dito que os segredos dos vendedores de urnas, mais a apatia do governo é igual a uma eleição insegura, principalmente quando se sabe que tais vendedores tenazmente resistem à transparência. É estranho a apatia de nossos políticos à segurança das urnas eletrônicas, diante da resistência à transparência por parte dos vendedores.

Deve-se criar neste país um órgão de transparência, como existe em outros países, que cuide não só da segurança das urnas eletrônicas, mas da segurança de todas as tecnologias utilizadas no Brasil. Temos um sistema de votação imenso e complexo, que exige um rigoroso acompanhamento, alertando-nos sobre a tentativa fútil de achar que estamos controlando o que é inerentemente incontrolável.

Um sistema mais seguro e transparente requer a participação de todos e não se pode dispensar a participação das forças armadas, que deve ter um papel de protagonista em termos de segurança, considerando se tratar de uma instituição responsável por nossa proteção e segurança. Deve-se repudiar usá-las para práticas golpistas ou para apoiar o discurso de confiabilidade do que pode não ser tão confiável. Vale mencionar ainda que o uso de tecnologias de informação em qualquer país é uma questão de segurança nacional.

Num governo com um explicito orçamento secreto a serviço de políticos sem compromissos com o povo e um Centrão que apoiou todas as ações negativistas do governo que levaram a milhares de mortes durante a Pandemia e, agora, práticas antidemocráticas, vale a pena lembrar o samba do cantor Bezerra da Silva, modificado por um general da cúpula do governo, insinuando que os membros do Centrão são ladrões: “Se gritar pega Centrão, não fica um, meu irmão”. Num ambiente desta natureza, o que a sociedade pode esperar de seus representantes?

Se o cenário de nossa democracia é este, realmente não faz sentido discutir segurança e transparência de nosso sistema eletrônico de votação. Da mesma forma, será que valeu a pena investir alguns bilhões de reais em urnas eletrônicas ao longo dos anos, vendo a deterioração de nossa democracia e a qualidade de nossos representantes, com algumas exceções? 

  Fonte: Folha da Região                      Um governo militarizado e caracterizado por fake news, orçamento secreto, Centrão, uso indevid...

 

Fonte: Washington Post       

O aborto sempre foi uma discussão de teólogos e religiosos, mas nos últimos anos passou a ser discutido por políticos oportunistas da extrema direita e, nos últimos dias, a Suprema Corte americana se envenenou para decidir sobre a anulação do aborto nos Estados Unidos. O surgimento desta informação foi como se uma bomba atômica tivesse caído num país onde, desde 1973, a própria Suprema Corte tinha aprovado o aborto.

Foi em 1973 que a Suprema Corte julgou o recurso de Norma McCorvey, uma mulher separada, residente no Texas, que buscou terminar uma gravidez indesejada, caso denominado de Roe v. Wade. Ela casou-se aos 16 anos, mas separou-se logo após a gravidez. Deu a custódia de criação de sua filha a sua mãe. O segundo filho dela também foi adotado e quando engravidou pela terceira vez, decidiu pelo aborto, que não aconteceu por ser proibido no seu Estado.

Por conta disto, McCorvey processou o promotor Henry Wade, do município de Dallas, e o caso subiu para a Suprema Corte com a denominação de Roe vs Wade para proteger a privacidade de Norma McCorvey. Assim sendo, em 1973, a Suprema Corte americana reconheceu o direito constitucional da mulher ao aborto. Grande conquista dos direitos das mulheres, mas que vem sendo atacada ferozmente nos últimos anos, a partir do governo de Donald Trump.

Nós cristãos, em geral, somos contrários ao aborto, mas não há ainda uma clareza de seus limites e restrições. Não se pode discutir uma lei contra o aborto, sem discutir o acesso ao aborto. Enfim, como mostra a figura acima aborto é cuidado de saúde. As mulheres que estão abortando estão tendo os devidos cuidados de saúde, educação e bem-estar? O aborto está acontecendo após uma decisão da mulher e seu médico? Como pode cinco juízes da Suprema Corte decidir sobre tão complexa matéria, sem uma ampla participação das mulheres? Enfim, o aborto não deve ser decidido por juízes machos e políticos oportunistas, que muitas vezes votam contra os interesses das mulheres em matérias de saúde, educação e o bem-estar delas.

O aborto e a desumanização de uma mulher em não desejar mais a vida de seu filho precisa ser melhor entendida. Vale a pena lembrar a orientação do cardeal Joseph Razinger aos políticos sobre o direito à vida, proteção e promoção da família, a liberdade e a construção da paz. O que estão fazendo os políticos de extrema direita no momento? Tratando do direito à vida, mas menosprezando a proteção e promoção da família, a liberdade, saúde etc. Neste caso, são contrários ao aborto, mas menosprezam as ações sociais básicas em benefício dos mais pobres.

Nestes últimos dois anos os governos de Trump, nos Estados Unidos, e Bolsonaro no Brasil trouxeram sofrimentos inesquecíveis para a população mais pobre. Negligência completa com a saúde, a partir da falta de vacinas para idosos e crianças. Leis estão sendo aprovadas em alguns Estados americanos proibindo as mulheres abortar, mesmo que o feto seja resultante de uma relação com um tarado estuprador. Mesmo em casos de incestos, não será mais permitido o aborto. As mulheres não devem ser criminalizadas em circunstâncias horríveis como estas e submetidas a uma gravidez indesejada.  Estes absurdos não devem ser aceitos numa sociedade civilizada.

O discurso dos guerreiros antiaborto e defensores da família é um blefe. Este discurso antiaborto da extrema direita é o de não ter compromissos com os milhões de bebês que nascem num ambiente de muita dureza e continuam perambulando neste mundo sem a devida assistência. Falam em mudar as leis de aborto e valores da família, mas esquecem os bebês que chegam ao mundo sem um programa desenhado para protegê-los, principalmente os mais pobres vivendo em ruínas e violências econômicas. Família para a extrema direita é a presença de um homem forte e “macho”, uma mulher subordinada e crianças que aprendem como se lançar na vida, sem dinheiro, oportunidades educacionais e perspectivas de trabalho no futuro.

Existem estudos mostrando que de cada quatro mulheres, as três que se submetem ao aborto são mulheres de baixa renda, com a maioria vivendo abaixo da linha de pobreza, mães solteiras que vivem sem ajuda dos pais das crianças. Vale lembrar que nos Estados Unidos foi o programa de saúde chamado de Obamacare, destruído pelos conservadores de extrema direita, que mais contribuiu para reduzir o aborto no país.

Portanto, bilionários de extrema direita estão financiando o plano diabólico antiaborto, exigindo que a justiça o aprove. A campanha começou nos Estados Unidos e já está atingindo a Europa. A teoria da conspiração por trás disto é a de que se as mulheres brancas pararem de ter filhos, a supremacia branca começa a perder poder. Estes poderosos descarados querem controlar os corpos e os úteros das mulheres com este projeto racista, sem oferecer nenhuma contrapartida para os cuidados de crianças. São estes os guerreiros da família e contra o aborto. Lembrar que no meio deles existem aqueles que, como divulgado pela imprensa, são acusados de violar o corpo de mulheres, humilhando-as e gabando-se orgulhosamente de ter alisado as partes íntimas de seus corpos.

Neste Dia das Mães, vamos lembrar e refletir sobre o verdadeiro amor de mãe, tão bem expresso por aquela mãe que disse que nos últimos dez anos se dormiu duas noites foi muito, cuidando de um filho doente sem ter as condições e nenhuma ajuda dos poderes públicos. Contudo, para ela, este filho foi uma benção de Deus. Nós, homens, vamos nos unir as mulheres, exigindo que qualquer discussão de aborto só seja feita depois que todas as crianças e mães deste país estejam devidamente protegidas com um programa de saúde e educação adequados, sendo prioritária a participação das mulheres neste debate.  Não vamos embarcar na enganação da extrema direita, de uma campanha antiaborto perversa e enganosa. 

  Fonte: Washington Post        O aborto sempre foi uma discussão de teólogos e religiosos, mas nos últimos anos passou a ser discutido por ...

 

Fonte: Embrapa              

Reportagem desta semana no Jornal Washington Post mostrou como a Floresta Amazônica está sendo devorada com a força do boi e do bife, com a cumplicidade do Estados Unidos. Para o Jornal, se a Amazonia vai morrer é o bife que a matará.

Enquanto os americanos são os maiores consumidores de bife do mundo, a imprensa brasileira noticiou esta semana que a classe média brasileira não tem mais condições de comer bife, mudando os hábitos alimentares para comer fígado, frango e ovo. Os mais pobres têm que se contentar com montanhas de arroz e ovo.

Já se sabe que o maior escândalo do mundo no momento é a fome e a insegurança alimentar do povo brasileiro, num país considerado o segundo maior produtor de alimentos do mundo. Diante disto, nosso modelo de agronegócios por corporações nacionais e internacionais é perverso e não traz nenhum desenvolvimento para o país, além da busca de riquezas numa das regiões mais ricas do planeta. Estamos vendo uma região sendo devorada num ambiente de corrupção, crimes e ganancias.

Sabemos como começou o desenvolvimento da Amazônia na época da ditadura militar, com a construção da Transamazônica, com o propósito de habitar a região e aumentar o rebanho bovino. A literatura mostra que no ano de 1960, pouca gente da região tinha visto um boi, a não ser os búfalos da Ilha da Marajó. O rebanho bovino hoje na região deve se aproximar da população brasileira. Assim sendo, o poder do boi na região é reconhecido.

No governo petista se faz um dos maiores financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para, com recursos públicos, se criar a maior empresa de bife do mundo - JBS. Ainda hoje não se conhece uma análise de custos e benefícios do uso de recursos públicos para tal propósito, a não ser mostrar a expansão de um agronegócio insustentável no país, com financiamentos públicos a grandes frigoríficos.

No governo Bolsonaro a devastação parece ser maior, com o agronegócio nacional e internacional acumulando riqueza às custas da biodiversidade. Os investidores do boi têm conseguido mudanças da legislação para evitar medidas de proteção ambiental e outros programas contra o trabalho forçado. O poder do boi expandiu o trabalho escravo no país. Vale registrar ainda as grandes queimadas na região no atual governo.

Depois de analisar milhares de cargas, faturas e imagens de satélites das fazendas de gado, o Jornal Washington Post identificou que a JBS ainda não se separou das ligações com o desmatamento ilegal. A destruição da floresta é escondida por trás de uma longa e sofisticada cadeia de suprimentos, que se conecta diretamente com fazendas desmatadas ilegalmente e outras acusadas de infrações ambientais até às fábricas autorizadas pelo governo dos Estados Unidos para exportar bife. Diversos fazendeiros a quem a JBS comprou bois eram reconhecidos e denunciados por autoridades por estarem entre os mais destrutivos atores na região, responsáveis pelo desmatamento ilegal. Pelas imagens de satélites, todos violando a lei brasileira.  

Apesar de sua defesa de preservação da Amazônia, o Presidente Biden não parece ter poder para mudar a legislação e influenciar as agencias que inspecionam o serviço de compra e exportação de bife para os Estados Unidos. Para estas agencias, eles não determinam se os bois são de origem de áreas que estão sendo desmatadas. Para o IBAMA, o controle ambiental da cadeia de suprimentos de bife deveria ser rigoroso e esta discussão vem sendo feita há mais de 30 anos, mas nada acontece. Estranho.

Fica demonstrando que por trás das cadeias de suprimentos é possível esconder tudo. Se o governo brasileiro não controla o desmatamento para criação de bois, nem o governo dos Estados Unidos nem os consumidores americanos sabem da origem do bife que consomem. Uma vez que o bife importado passa pelo serviço de inspeção americana, todas as etiquetas que identificam a sua origem são removidas, sendo a partir daí vendido como se fosse um produto doméstico.

 Por sua vez, os vendedores de bife não são obrigados a informar aos consumidores a origem do produto, sendo protegidos por lei. Quando o Washington Post perguntou a 16 cadeias de vendas de bife nos Estados Unidos se eles vendiam o bife da JBS do Brasil, apenas duas responderam que sim, mas em pequena quantidade. A JBS também não respondeu a quem vende bife nos Estados Unidos. Com certeza, muitos americanos boicotavam o bife da JBS, oriundo do Brasil.

Está aí um resumo da destruição de uma das regiões mais ricas do mundo, explorada por gananciosos, sem nenhuma contribuição para o desenvolvimento social do país. Tudo isto acontecendo com a ajuda do atual governo e governos anteriores. Como no Brasil "os crimes de Estado são respaldados pela burguesia”, nada acontecerá a não ser a nossa tristeza em ver uma região e uma sociedade destruídas pela ganância, poluição e mortes e pelas monstruosas desigualdades sociais.

O boi do futuro e o bife fazem parte da ideologia perversa de país do futuro, onde se destrói o passado e tudo o que se tem de precioso, em benefício de uma elite perversa, de esquerda ou direita. Para debochar de nosso país, ainda existem aqueles que nos insultam tentando vender McPicanha sem picanha. Neste país do futuro e do boi do futuro, onde a grande maioria não pode comer mais um pedaço de bife, não merecemos tamanho deboche e insulto. A fraude e a lavagem da picanha ou bife são crimes brutais imperdoáveis contra os consumidores e a sociedade brasileira.

  Fonte: Embrapa               Reportagem desta semana no Jornal Washington Post mostrou como a Floresta Amazônica está sendo devorada com a...

 


A literatura mostra que durante as últimas quatro décadas os cientistas da computação estão entre os maiores defensores da segurança e confiabilidade dos sistemas eleitorais eletrônicos.  Neste período, centenas de trabalhos vem sendo expostos em Fóruns e Conferências sobre erros humanos e computacionais em eleições, evidentes fraudes e outros problemas.

É lamentável que a participação do Brasil seja quase inexistente nestas discussões, embora o país seja um dos primeiros a introduzir a urna eletrônica. Há poucos meses aconteceu a 6ª Conferência Internacional do Voto Eletrônico, na Europa, organizada por várias universidades, quando os tópicos sobre segurança e confiança no voto eletrônico foram bastante discutidos. Vale mencionar que um dos trabalhos que discutiu o desenvolvimento de um sistema eletrônico, enfatizou a transparência e verificação universal. Nesta verificação, mais de 3.000 pesquisadores e hackers tentaram invadir o sistema para oferecer sugestões sobre segurança.

Diante de possíveis vulnerabilidades da urna eletrônica, a questão de segurança é um processo contínuo e não estático. O mesmo acontece com a transparência, confiança e verificação externa. Já foi dito que em relação a urna eletrônica é difícil se fazer uma investigação pericial como é feita em outros crimes. Imagine uma cena de assassinato onde ninguém é permitido examinar o corpo morto, mas o assassino tem acesso a evidência e a ele é permitido eliminar todos seus traços, antes da chegada do perito. Esta é a situação que em geral acontece com as investigações de urnas eletrônicas. Isto deve ser mudado.

Mesmo que seja possível se fazer uma recontagem de votos, há uma falta completa de procedimentos e protocolos especificados para se conduzir uma revisão pericial completa de qualquer aspecto de uma eleição.  Além disto, existem algumas proibições e restrições de acordos e segredos comerciais dos vendedores de tecnologia. Mesmo assim, existe uma suposição generalizada de que os administradores das eleições são isentos e que o processo de contagem de votos é honesto. Além disto, eles têm poderes, ao contrário de um júri, de evitar uma triagem de equipamentos, software, urnas e outras evidências pelo perito para qualquer ou todos os candidatos numa eleição.

É uma tristeza acompanhar o que está acontecendo no Brasil, quando as questões de segurança do voto eletrônico fazem parte de um conflito entre o Presidente da República e a Justiça Eleitoral. De um lado, as insinuações de que as urnas já foram fraudadas e, do outro, de que as urnas são seguras, com os cientistas da computação, a comunidade acadêmica e a sociedade como um todo, totalmente fora do debate.

Seguras ou não, as elites políticas nunca questionaram a segurança das urnas eletrônicas, usadas há mais de 20 anos. Por que só agora estão sendo questionadas? Não há dúvidas de que a segurança das urnas deve ser uma grande preocupação da sociedade, incluindo as Forças Armadas. Ainda bem que a Justiça Eleitoral deu um passo nesta direção, criando uma comissão para cuidar da transferência de nosso sistema eletrônico de votação. Isto deveria ter acontecido desde a introdução do sistema.  

Contudo, é inaceitável usar o sistema de votação eletrônica como prática de um golpe. O Presidente Bolsonaro já insinuou que se não for reeleito, a culpa é das urnas eletrônicas. Num governo, com ampla participação de militares na sua administração, não há dúvidas de que muitos deles seguirão a orientação do chefe maior. Já foi dito que não largarão “a rapadura facilmente”. Nestes últimos dias, os horrores da tortura do regime militar inundaram a imprensa, pouco tempo depois do registro de milhares de mortes dos que foram deixados sem vacinas e oxigênio, na gestão de um general atuando como ministro da saúde. Isto sem falar o que estão fazendo com as populações indígenas.

Ao que parece, a falta de ênfase por parte da justiça eleitoral com as questões de segurança e transparência das urnas eletrônicas puseram nossa democracia em risco. Isto vinha sendo alertado há mais de dez anos. Não adianta ministros da justiça eleitoral dizerem que o sistema de votação é seguro, se não têm o aval da comunidade cientifica e da sociedade como um todo. Um sistema de votação eletrônica não pode ser administrado apenas por uma justiça eleitoral, mas com uma ampla participação da sociedade.

Neste sentido, o Congresso Nacional deve reformular a administração de nosso sistema de votação com uma ampla participação da sociedade, de modo que se enfatize as questões de segurança e transparência, evitando o que se passa no momento.



 

  A literatura mostra que durante as últimas quatro décadas os cientistas da computação estão entre os maiores defensores da segurança e con...