Magnífico Discurso e Liderança de Mark Carney em Davos
O poderoso e magnífico discurso do Primeiro-Ministro
canadense, Mark Carney, no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, não só
impressionou as mídias sociais como deixou os canadenses orgulhosos de sua
liderança, ao criticar uma ordem mundial baseada na coerção e extorsão econômica.
Em seu discurso, amplamente elogiado, Mark Carney não
só declarou que a ordem internacional baseada em regras lideradas pelos EUA
havia acabado e "não voltaria", como convocou potencias médias, a
exemplo do Canada e Brasil, a construírem uma nova ordem mundial, num momento
em que grandes potencias como Estados Unidos e Rússia exercem o autoritarismo e
usam a força bruta para invadirem outros países.
Carney não é um político tradicional, mas um profissional
altamente qualificado, com doutorado em economia e foi o único cidadão estrangeiro
a dirigir o Banco da Inglaterra. Mesmo assim, em Davos, conseguiu ofuscar o
discurso vazio de Trump e colocá-lo no seu devido lugar.
Enquanto os assessores de Trump alertavam os países a
continuarem a suportar as críticas dos EUA sem alterar suas políticas, Carney e
outros em Davos diziam aos americanos que a paciência se esgotou após mais de
um ano de caos e maus-tratos. Parem de seguir o caminho atual e voltem a fazer
parte de um grupo pacífico e civilizado de democracias.
Muitos disseram: “Não podemos consertar o seu governo,
como muitos de vocês parecem querer. Mal conseguimos nos proteger da
perturbação e dos danos que vocês estão causando. Mas vamos isolá-los e
caminhar rumo a um futuro em que não seremos enganados nem tão vulneráveis novamente”.
É preciso compreender que a aversão dos canadenses aos
Estados Unidos vem de longe e a famosa frase de Trudeau, o pai, define a
relação entre Canada e os Estados Unidos assim : “Viver ao lado de você é, de
certa forma, como dormir com um elefante. Não importa o quão amigável e dócil
seja a fera, se é que posso chamá-la assim, somos afetados por cada movimento e
grunhido”, disse o falecido Pierre Trudeau.
O discurso de Mark Carney foi tão contundente que o colunista
do New York Times, David French, o considerou como sendo a “Doutrina de Carney”,
ao contrário da Teoria de Trump, que mostra claramente que as “grandes
potências começaram a usar a integração econômica como armas”. Tarifas como
alavanca. Infraestrutura financeira como coerção. Cadeias de suprimentos como
vulnerabilidades a serem exploradas.” Neste caso, Carney afirmou que a
integração se tornou a fonte de sua “subordinação”.
Em vez disso, Carney delineou um caminho de integração
e cooperação entre aliados que poderia criar, em essência, uma nova grande
potência rival dos Estados Unidos. Para ele, a submissão, na verdade, nunca foi
uma opção. Nações orgulhosas não concordam em se tornar vassalas.
Na teoria de Trump, os Estados Unidos serão
beneficiados com uma ruptura, considerando o poderio econômico e militar do
país. “Não seremos mais explorados por aliados oportunistas e a própria
fraqueza deles significa que podemos impor nossa vontade”.
Por meio de tarifas e ameaças, podemos até extorquir
mudanças territoriais — adquirindo a Groenlândia da Dinamarca e (quem sabe?)
talvez até transformando o Canadá no 51º estado. “Nossa força costumava ser a
força deles. E agora? Nossa força é a fraqueza deles — uma fraqueza que podemos
explorar.
Para David French, a escolha não é entre resistência e
submissão, mas entre formas de resistência — se as “potências médias” criarão
fortalezas nacionais ou firmarão novas alianças e acordos que não incluam os
Estados Unidos.
A reação de Trump às declarações contundentes e de
grande repercussão do primeiro-ministro canadense Mark Carney, que rejeitou os
esforços de Trump para desmantelar a ordem internacional, foi tamanha que um
dia depois Trump revogou convite do Canadá para participar de seu ‘Conselho da
Paz’.

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