O Ifá e Candomblé Podem Mudar o Terrível Algoritmo da IA?
Quem pensar
que a terrível Inteligência Artificial dos dias de hoje é uma criação inovadora
de nossos tempos, desconhece que o Candomblé e o Ifá utilizam um sofisticado
sistema de conhecimento, criado por Urunmìllà, há mais de cinco mil anos atrás,
que poderia mudar o terrível algoritmo da Inteligência Artificial (IA), criado
por corporações visando lucros abusivos e a maior sujeição humana da história.
A
sofisticação matemática de Orunmíllà era tamanha que fez a UNESCO declarar o
“Sistema de Adivinhação Ifá como Patrimonio Oral e Imaterial da Humanidade em
2005.” Se Sócrates foi chamado o pai da filosofia, OrunmIllà foi chamado o pai
da sabedoria.
Há quem
diga que sua base de conhecimento científico, baseada na Filosofia, Matemática
Cálculo das Probabilidades, Análise Combinatória e Álgebra Booleana se
assemelha ao que é usado no campo da computação e IA, nos dias de hoje.
Há poucos
anos, pesquisadores do Departamento de Ciência da Computação, da Universidade
de Bowen, na Nigéria, publicaram trabalho no Jornal Internacional de Tecnologia
Inovativa e Pesquisa, confirmando as similaridades entre o sistema Ifá e a
Ciência da Computação.
Para eles,
apesar de a adivinhação Ifá ter sido tratada como uma prática obsoleta, sua
relevância para o avanço tecnológico é imensa, por se tratar de um sistema
especialista e algoritmo necessário no processo de tomada decisão.
Em 2025, na
Conferência Nacional Anual, da Associação de Matemática da Nigéria, professores
da Nigéria e Reino Unido consideraram que o sistema Ifá se equipara à moderna lógica
computacional. Estabeleceram, assim, uma ligação entre a modelagem matemática e
o código de adivinhação do Ifá no ensino da lógica matemática.
Sugeriram,
ainda, que a integração do sistema Ifá na educação em matemática pode melhorar
o pensamento lógico, pensamento computacional e as habilidades de solução de
problemas, além de promover uma relevância cultural no processo de
aprendizagem.
A
curiosidade que se levanta aqui é o de saber mais as origens deste
conhecimento. Há quem diga que o Orixá Orunmíllà o trouxe do céu. Por se tratar
de um conhecimento indígena milenar, é possível que nossos índios nas florestas
tenham um sistema de conhecimento ainda não explorado para o tratamento de
doenças, como é usado pelo sistema Ifá.
Há poucos
meses a London School of Economics divulgou trabalho do pesquisador em história
da IA, Ociosa Omoregie, que indagou sobre o que o Ifá, um sistema de
conhecimento binário indígena, pode nos ensinar sobre IA?
O
questionamento dele vem reforçar o que muitos pesquisadores já criticaram, ou
seja, o atual algoritmo da IA é o de submeter a humanidade a maior sujeição
humana e deve ser rejeitado pela sociedade em todo o mundo.
Contudo, o
poder colonizador e racista do Ocidente dificilmente aceitará a criação de
conhecimento em países pobres, principalmente da África, razão pela qual um
discurso mais amplo sobre tecnologia e computação não é reconhecido. Como dito por Ociosa Omoregie, o Ifá já foi
descartado como místico, simplesmente porque não foi escrito, revisado por
pares ou formalizado em termos acadêmicos ocidentais.
Portanto, o
sistema Ifá de conhecimento foi escondido no mundo Ocidental a nossa vista por
milhares de anos por parte do sistema de colonização e racismo. O Candomblé o utiliza no jogo de búzios e em
seus princípios éticos, de moralidade e de participação comunitária, mesmo
tendo outras práticas diferentes do sistema Ifá.
Além disto,
durante séculos, o sistema colonizador racista considera tanto o Candomblé como
a Umbanda como exercendo práticas de feitiço e superstição, mas ambos têm suas
estruturas de conhecimento muito ricas. É lamentável que o poder dominante do
Ocidente não considere como conhecimento e ciência o que é criado nos países
pobres.
Deve se
desculpar por isto e se envergonhar de estar criando tecnologias criminosas, a
exemplo de suas redes antissociais, prejudicando a sociedade, sobretudo as
crianças e a juventude,
No caso do
sistema Ifá, não se trata de um modelo místico, mas um algoritmo ou um sistema
de apoio às decisões, bastante diferente dos algoritmos da IA em vigor. O algoritmo do Ifá define que não há
algoritmo sem interpretação, nem resultado sem contexto. O modelo exige
sabedoria humana e não uma automação cega.
Para Ociosa
Omoregie, o Ifá incorpora participação comunitária, pluralidade interpretativa
e responsabilidade moral em seu próprio processo de tomada de decisão. Além
disto, o que pode acontecer é que os sistemas de conhecimento não ocidentais
possam oferecer estruturas éticas radicalmente diferentes. Assim sendo, por
conta da dominação e racismo, somos obrigados a usar tecnologias como as atuais
redes antissociais e a IA. O que fazer para mudar seus algoritmos e torná-las benéficas
à humanidade?
Já que
diversas religiões estão criticando a IA, a exemplo do Papa Leo XIV que, mesmo
de forma moderada, demonstrou seus riscos, a nossa esperança pode ser a união
das religiões, que mesmo com deuses diferentes podem exigir tecnologias
humanizadas.
Diante da captura
da classe política pelas grandes corporações, ainda quero acreditar que o Deus
de cada religião pode nos ajudar a evitar o sofrimento e tamanha sujeição
humana com os atuais algoritmos da IA.

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