Causas Profundas da Violência Estatal Contra Mulheres no STF
Fonte: You Tube
As causas
profundas da brutal violência estatal contra as mulheres no Brasil, tão
explicitadas por feministas do Brasil e do exterior, começa com a exclusão
criminosa do poder feminino como um padrão da sociedade e de suas instituições,
a exemplo da indicação de Ministros do Supremo Tribunal Federal – STF, no
momento praticada pelo Presidente Lula.
Esta
exclusão criminosa do poder feminino no âmbito de uma das instituições que
sempre defendeu as mulheres é absurda num governo de esquerda. Dos onze
Ministros da nossa Suprema Corte, temos apenas a Ministra Carmem Lúcia
representando as mulheres, cuja honradez e dignidade é reconhecida. O STF não
deve aceitar esta desigualdade de gênero.
Assim
sendo, o Brasil deve criar uma cultura que iniba a violência contra as mulheres
e não uma cultura que banalize esta violência. Isto se dá enfatizando-se
constantemente as causas profundas desta violência, mencionando-se sempre a
questão de renda, desigualdades sociais, precariedades das condições de
educação, saúde, racismo, saneamento básico e indicação de mulheres em cargos
públicos e privados, entre outros.
Mas de quem
é a culpa de se ter apenas uma mulher no STF? É o machismo na Presidência da
República, em governos de esquerda e direita. Recentemente, o Presidente Lula
deixou de indicar uma mulher para o STF, dando prioridade a um homem por interesses
de votos, desprezando o pedido de várias organizações em defesa das mulheres.
Lembrar que o machismo e exclusão de mulheres se deu também nos governos anteriores.
Pela lei
brasileira, o presidente pode indicar sem maiores exigências ministros para o
STF, mas já se deveria ter uma lei que comtemplasse a questão de gênero nestas
indicações. Porém, o machismo nacional é uma destas causas profundas de
exclusão criminosa do poder feminino e discriminação e violência contra as
mulheres.
A partir
daí podemos compreender o gênero em relação aos tipos de poder patriarcal que
dominam a organização de nossa sociedade, que enfatiza excessivamente a punição
criminal, muitas vezes desviando a atenção da necessidade de sistemas de apoio
social, autonomia econômica e educação,
que são cruciais para a prevenção da violência.
Por conta da
exclusão criminosa do poder feminino e violência estatal contra as mulheres, o
Presidente Lula deve ser punido nas urnas por todas as mulheres e homens deste
país, comprometidos com o combate à violência contra as mulheres. Mesmo diante
da inexistência de leis, o dirigente público deve adotar boas práticas na
gestão pública.
No caso do
Brasil, temos que considerar, também, que a danosa ideologia política e
polarização entre esquerda e direita inibem a luta pela igualdade de gênero,
sendo as mulheres sempre alijadas pelas estruturas partidárias machistas.
Vale
lembrar que, em 2015, o ex-Primeiro-Ministro canadense, Justin Trudeau, quando
eleito, indicou seu ministério formado por 15 homens e 15 mulheres, abaixo de
50 anos, num país que nunca teve um
momento de paridade de gênero de fato. Trudeau alegava que queria um governo
que representasse a diversidade canadense e se tornasse mais aberto e
transparente do que os anteriores.
Por conta
disto o Canadá saltou da 30ª para a 3ª posição no ranking mundial de igualdade
de gênero no governo, enquanto o Brasil estava na 85ª posição. O resultado
disto foi que durante a COVID-2019 os canadenses, principalmente os
trabalhadores e pequenas e médias empresas, tiveram uma ajuda financeira
invejável no mundo.
Entre as
diversas legislações que estão sendo aprovadas, uma delas deve ser inserida
obrigando que as mídias sociais, ao divulgarem notícias sobre violência contra
as mulheres, ofereçam simultaneamente o mesmo espaço de tempo para denunciar a exclusão do poder feminino
na sociedade e as causas profundas da violência, abaixo citadas.
As mídias
sociais e imprensa estão aí dando notícias policiais do dia a dia e dos crimes
de violência contra as mulheres, mas não tocam nas causas profundas, incluindo a
exclusão do poder feminino na sociedade, reforçando a ocultação das causas
profundas da brutal violência contra nossas mulheres, incluindo as mulheres
indígenas.
Portanto, é
importante divulgar os níveis de violência dos homens contra as mulheres, mas
mais importante do que isto é divulgar as causas desta violência e a exclusão
das mulheres no poder, hoje repleto de machos praticando a corrupção e
violência nos chamados “poderes podres patriarcais”, que sempre deslegitima as
mulheres.
Esta
exclusão começa em seu município, estado e no nível federal. Quantos mulheres
existem nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas, nos tribunais de
justiça, tribunais de contas, na direção de órgãos públicos e privados? Assim
sendo, quando as mídias sociais e a imprensa divulgarem notícias de crimes
contra as mulheres devem enfatizar, também, o quanto elas são vítimas das
desigualdades nas estruturas de poder.
Quais os
programas sociais, educacionais, de saúde, dentário que a população pode contar
em suas áreas de residência. A população está observando as falhas para o
aumento de tanta violência contra a mulher? Considera a exclusão das mulheres
como fator importante para o aumento da violência? Estas e outras questões
respondem por que tanta violência e crimes contra as mulheres, incluindo a
falta de participação delas na política e orçamentos secretos.
A violência estatal contra as mulheres no Brasil é assombrosa e não parece ser uma prioridade dos governantes, que ocultam causas profundas inibindo a criação de uma cultura contra a brutal violência contra elas. Banalizar crimes contra elas não é a solução.

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