Fonte: Falauniversidades.com      Paraísos Fiscais             

Com a concentração da riqueza nas mãos de poucos, sabemos que estamos longe de se pensar em sustentabilidade e finanças sustentáveis no setor financeiro. Mas, será que ainda podemos fazer uma escolha e pensar em democracia?

Vivemos num mundo em que na maioria dos países os governos percebem que a sociedade está sendo roubada e não tem a coragem de regulamentar seus sistemas financeiros. Houve uma época em que usura, exploração e corrupção eram crimes. Hoje acontece abertamente em nossa sociedade. O exemplo mais conhecido de todos nós são os juros dos cartões de crédito.

Quem elegeu o atual governo sabia que estaríamos reforçando usura e exploração no atual sistema financeiro insustentável do país, a partir da indicação de nosso ministro da economia. Seria interessante que os eleitores escolhessem seus candidatos observando as propostas daqueles que poderão defender uma mudança de nosso sistema financeiro, que hoje tem o grande papel de reproduzir o poder das elites. É possível que nenhum dos candidatos toque neste assunto como bandeira em defesa da inclusão social.

No Brasil temos algo inusitado e inacreditável quando se sabe que tanto o ministro da economia, Paulo Guedes, quanto o presidente do Banco Central, Campos Neto, entre outros, são investidores em Paraísos Fiscais, fugindo dos impostos e das leis do país que eles administram. O Congresso Nacional aprovou a independência do Banco Central, mas não reagiu em relação ao fato de se ver raposas tomando conta do galinheiro, com a elite endinheirada investindo nos paraísos fiscais e dirigindo o país.

Não podemos esquecer aqui o anúncio de propostas de mudanças da economia americana feita pelo Presidente Biden, há poucos meses, ao dizer que capitalismo sem competição não é capitalismo. É exploração. Não explicitou que é também corrupção, mas as propostas de enfrentar as grandes corporações e o sistema financeiro deixa isto muito claro. Se vai ter sucesso em enfrentar a Wall Street (centro financeiro das grandes corporações em Nova York) não se sabe ainda, mas as propostas são de acabar com os 40 anos de ajuda às grandes corporações e ao sistema financeiro e incentivar a ajuda às pequenas e médias empresas, responsáveis por empregos e crescimento da economia.

O grande problema de Biden não foi só aprovar seu pacote de trilhões de dólares para salvar a economia americana, mas de indicar pessoas para iniciar estas grandes mudanças. Muitas pessoas reconhecidas mundialmente por sua capacidade foram rejeitadas pelo Partido Republicano (conservador), vistas como comunistas, a exemplo da Professora de Direito, Saule Omarova, da reconhecida Universidade de Cornell.

Vamos observar agora se algum Presidenciável no Brasil vai demonstrar a coragem de enfrentar a Faria Lima (centro financeiro do Brasil em São Paulo) propondo mudanças do sistema financeiro e dos mercados financeiros, responsáveis por enriquecimento ilícito neste país. Já foi dito neste blog que usura, exploração e corrupção são incompatíveis com democracia.

Vale lembrar aqui o que disse o grande jurista da Suprema Corte americana, Louis Brandeis, reconhecido como o advogado do povo. "Podemos ter democracia, ou podemos ter riqueza concentrada nas mãos de poucos, mas não podemos ter os dois". Há muito que sabemos como são eleitos nossos políticos com o dinheiro sujo das empresas, que facilmente esquecem o voto do povo e vão defender tais empresas.

A questão de regulação do sistema financeiro pode ser feita tanto pela esquerda quanto pela direita, embora a ultradireita não queira regulação de nada, a exemplo de bolsonaristas, no Brasil, e trumpistas, nos Estados Unidos. Biden é de direita e está propondo esta regulação, assim como Boris Johnson, na Inglaterra. A esquerda no governo no Brasil já demonstrou ser favorável aos lucros exorbitantes do sistema financeiro, favorecendo grandes corporações.

Alguns países iniciaram a caminhada saindo da maldade e poder das elites para as finanças sustentáveis, que exige princípios básicos como inclusão e diversidade. Algum tempo vai levar para isto acontecer no Brasil, mas é tempo de se começar a discussão do tema na academia, onde boa parte dos acadêmicos no setor financeiro são responsáveis pela reprodução da estrutura de poder e exclusão, defendendo e mantendo o status quo de um sistema financeiro insustentável e perverso.

A busca de um sistema de finanças sustentáveis requer a educação financeira dos consumidores, principalmente das classes menos favorecidas, a inclusão e diversidade. Nosso sistema financeiro deve buscar princípios básicos de finanças sustentáveis, abandonando a exploração dos menos favorecidos. No próximo texto vamos discutir o quanto o sistema de crediário e compre agora e pague depois no Brasil tem sido perverso para os mais pobres, por não oferecer educação financeira e inclusão. O objetivo principal é o lucro e usura das grandes corporações, contrariando a democracia e os princípios de justiça social.


 

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