Elites na Corrupção dos Supersalários e Escândalo Sexual

 

Fonte: You Tube                                                                                                                                             

Dois acontecimentos da semana passada atingiram a sem-vergonhice das elites e dos fora da Lei. No Brasil, o Ministro Flávio Dino determinou o fim de uma prática criminosa e de corrupção judicial, barrando o fim dos supersalários e, na Grã-Bretanha, o Rei Charles apoiou a prisão de seu irmão, o ex-Príncipe Andrew, um tarado e da lista de criminosos do sexo de adolescentes.

Contudo vale discutir as questões de estar acima da Lei e dos privilégios entre o Brasil e  Grã-Bretanha. A investigação policial sobre o irmão do Rei Charles o levou a tomar uma decisão vista como brutal, ao confrontar se o privilégio pode coexistir com o escrutínio democrático e o Estado de Direito, mostrando que o modelo antigo de exílio e silencio na Monarquia parece ter chegado ao fim.

Acontece que o ex-príncipe Andrew levou a família real britânica a um ponto de inflexão. Sem perspectivas de um bom desfecho para o ex-príncipe em meio ao escândalo sexual, a Casa de Windsor pode finalmente ruir. Crises anteriores sobre a escolha da mulher errada foram compreensíveis, já que podem atingir qualquer família.

O episódio pode levar o Parlamento Britânico a debater se o privilégio hereditário pode coexistir com a responsabilidade democrática, certamente marcando o fim da suposição de que fazer parte da família real é um sinal de impunidade. Na prática, deve resultar em uma responsabilização mais centrada na vítima.

No caso do Brasil, os privilégios não são hereditários, mas o Parlamento do Brasil nunca quis confrontá-los, demonstrando que ações criminosas das elites podem coexistir com o Estado de Direito e práticas democráticas, adquirindo o direito de impunidade.

Como pode o país mais desigual do mundo continuar permitindo que os Poderes da República continuem construindo uma sociedade injusta, brutalmente desigual, sem soberania e longe de princípios democráticos, permitindo que o dinheiro público seja descaradamente desviado não só para grupos oligárquicos, mas para uma casta do serviço público, a exemplo de juízes, que se locupletam e desmoralizam o país?

No caso do Reino Unido, se o processo prosseguir, o ex-príncipe responderá a juízes que o julgarão pelas evidências, não pelo nascimento. Corre o risco de uma prisão perpetua e o de perder o direito ao trono, mesmo estando na oitava posição da hereditariedade.

No caso dos supersalários as evidências são mais claras do que a luz do dia. Existem juízes recebendo mais de 200 mil reais por mês e,  segundo a imprensa, há quem ganhe mais de um milhão por mês, por conta dos penduricalhos. Isto não é Direito.  Não é hereditariedade.  É corrupção institucionalizada, como já foi dito. Quem vão julgar os privilegiados? 

O Ministro Dino pediu a suspensão do pagamento de penduricalhos, mas como será a punição e ressarcimento dos recursos já recebidos durante décadas? Em não se tratando de hereditariedade, não haverá condenação nestes casos? Espera-se que o caso não se enquadre nas velhas práticas corruptas do país.

Diante da reação à decisão do Ministro Dino por parte dos privilegiados, segundo à imprensa, e um Parlamento conivente com tamanha desgraça, tirar privilégios no Brasil não é tarefa fácil, sem o povo nas ruas.  Infelizmente, a maioria dos parlamentares são contra o povo, mostrando a inexistência de democracia.

As perversidades das elites estão expostas e cabe-nos acompanhar o que vai acontecer, sabendo que questões de transparência e responsabilidades precisam ser respondidas tanto no Brasil quanto na Grã-Bretanha.

No Brasil, o carnaval terminou, visto como “um duelo entre o corpo e a morte”, quando o povo ocupa as ruas como “um jeito de dizer que a cidade nos pertence”. Durante estes poucos dias o povo busca folego para enfrentar as adversidades durante o resto do ano, pois “Sem o repouso nas alegrias ninguém segura o rojão.”

Durante o resto do ano, o sistema suga a vida de um povo feito para gerar lucros para uma elite que captura os Poderes da Nação. Como se desconectar disto? As eleições estão aí e povo tem a responsabilidade de fazer muito com o voto, lembrando que a maioria que está aí não serve.

Na Grã-Bretanha a impressa já comenta que as pessoas, principalmente a geração mais velha, ainda aprecia a pompa e as festas de rua, mas os escândalos graves podem levar a família real para mais perto do fim. Para muitos, “é preciso, ainda que desconfortavelmente, submeter o escrutínio público à magia da monarquia”, pois a era de deferência já passou.

Por fim, estamos diante de uma crescente falta de transparência, responsabilização de pessoas no poder e de falha institucional, motivo de preocupação. Se nosso sistema de justiça funcionasse corretamente o público jamais teria acesso a tantas perversidades secretas, que não  contribui para a melhoria da sociedade.

As autoridades podiam ser consideradas confiáveis, ​​concentrando-se na missão específica de aplicação da lei e não abusarem de ferramentas criadas para ilícitos. Vítimas de uma brutal desigualdade social, ainda temos uma elite sempre buscando nos revitimizar.


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