Elites na Corrupção dos Supersalários e Escândalo Sexual
Dois
acontecimentos da semana passada atingiram a sem-vergonhice das elites e dos
fora da Lei. No Brasil, o Ministro Flávio Dino determinou o fim de uma prática
criminosa e de corrupção judicial, barrando o fim dos supersalários e, na Grã-Bretanha,
o Rei Charles apoiou a prisão de seu irmão, o ex-Príncipe Andrew, um tarado e da
lista de criminosos do sexo de adolescentes.
Contudo
vale discutir as questões de estar acima da Lei e dos privilégios entre o
Brasil e Grã-Bretanha. A investigação
policial sobre o irmão do Rei Charles o levou a tomar uma decisão vista como
brutal, ao confrontar se o privilégio pode coexistir com o escrutínio
democrático e o Estado de Direito, mostrando que o modelo antigo de exílio e
silencio na Monarquia parece ter chegado ao fim.
Acontece
que o ex-príncipe Andrew levou a família real britânica a um ponto de inflexão.
Sem perspectivas de um bom desfecho para o ex-príncipe em meio ao escândalo sexual,
a Casa de Windsor pode finalmente ruir. Crises anteriores sobre a escolha da
mulher errada foram compreensíveis, já que podem atingir qualquer família.
O episódio
pode levar o Parlamento Britânico a debater se o privilégio hereditário pode
coexistir com a responsabilidade democrática, certamente marcando o fim da
suposição de que fazer parte da família real é um sinal de impunidade. Na
prática, deve resultar em uma responsabilização mais centrada na vítima.
No caso do
Brasil, os privilégios não são hereditários, mas o Parlamento do Brasil nunca
quis confrontá-los, demonstrando que ações criminosas das elites podem
coexistir com o Estado de Direito e práticas democráticas, adquirindo o direito
de impunidade.
Como pode o
país mais desigual do mundo continuar permitindo que os Poderes da República
continuem construindo uma sociedade injusta, brutalmente desigual, sem
soberania e longe de princípios democráticos, permitindo que o dinheiro público
seja descaradamente desviado não só para grupos oligárquicos, mas para uma
casta do serviço público, a exemplo de juízes, que se locupletam e desmoralizam
o país?
No caso do
Reino Unido, se o processo prosseguir, o ex-príncipe responderá a juízes que o
julgarão pelas evidências, não pelo nascimento. Corre o risco de uma prisão
perpetua e o de perder o direito ao trono, mesmo estando na oitava posição da
hereditariedade.
No caso dos
supersalários as evidências são mais claras do que a luz do dia. Existem juízes
recebendo mais de 200 mil reais por mês e,
segundo a imprensa, há quem ganhe mais de um milhão por mês, por conta
dos penduricalhos. Isto não é Direito. Não
é hereditariedade. É corrupção
institucionalizada, como já foi dito. Quem vão julgar os privilegiados?
O Ministro
Dino pediu a suspensão do pagamento de penduricalhos, mas como será a punição e
ressarcimento dos recursos já recebidos durante décadas? Em não se tratando de
hereditariedade, não haverá condenação nestes casos? Espera-se que o caso não
se enquadre nas velhas práticas corruptas do país.
Diante da
reação à decisão do Ministro Dino por parte dos privilegiados, segundo à
imprensa, e um Parlamento conivente com tamanha desgraça, tirar privilégios no
Brasil não é tarefa fácil, sem o povo nas ruas.
Infelizmente, a maioria dos parlamentares são contra o povo, mostrando a
inexistência de democracia.
As
perversidades das elites estão expostas e cabe-nos acompanhar o que vai
acontecer, sabendo que questões de transparência e responsabilidades precisam
ser respondidas tanto no Brasil quanto na Grã-Bretanha.
No Brasil,
o carnaval terminou, visto como “um duelo entre o corpo e a morte”, quando o
povo ocupa as ruas como “um jeito de dizer que a cidade nos pertence”. Durante
estes poucos dias o povo busca folego para enfrentar as adversidades durante o
resto do ano, pois “Sem o repouso nas alegrias ninguém segura o rojão.”
Durante o
resto do ano, o sistema suga a vida de um povo feito para gerar lucros para uma
elite que captura os Poderes da Nação. Como se desconectar disto? As eleições
estão aí e povo tem a responsabilidade de fazer muito com o voto, lembrando que
a maioria que está aí não serve.
Na Grã-Bretanha
a impressa já comenta que as pessoas, principalmente a geração mais velha,
ainda aprecia a pompa e as festas de rua, mas os escândalos graves podem levar
a família real para mais perto do fim. Para muitos, “é preciso, ainda que
desconfortavelmente, submeter o escrutínio público à magia da monarquia”, pois
a era de deferência já passou.
Por fim,
estamos diante de uma crescente falta de transparência, responsabilização de
pessoas no poder e de falha institucional, motivo de preocupação. Se nosso
sistema de justiça funcionasse corretamente o público jamais teria acesso a
tantas perversidades secretas, que não contribui
para a melhoria da sociedade.
As
autoridades podiam ser consideradas confiáveis, concentrando-se
na missão específica de aplicação da lei e não abusarem de ferramentas criadas
para ilícitos. Vítimas de uma brutal desigualdade social, ainda temos uma elite
sempre buscando nos revitimizar.

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