Inteligência Artificial na Enganação e Compras de Votos
Fonte: You Tube
No passado
era só o dinheiro usado na compra de votos. Agora, com os avanços das
tecnologias, temos a informação, desinformação e a Inteligência Artificial (IA)
para fortalecer a enganação dos eleitores. Com base nas eleições passadas, não
só é preocupante como inimaginável o resultado do uso da IA nas próximas eleições.
Já foi dito
que a IA pode ser usada intencionalmente
para enganar, ocultando informações importantes. Práticas enganosas incluem a
geração de áudio ou vídeo sintético que retrata falsamente um candidato ou
oponente, a personificação de figuras políticas usando deepfakes e outros conteúdos
de campanhas negativas e desinformação estratégica de impacto potencial.
O momento é
o de se intensificar o debate sobre o uso as IA nas eleições, fornecendo
evidências sobre como os cidadãos percebem o uso da IA em
campanhas eleitorais e se eles sancionam os atores políticos vistos como violadores das normas eleitorais.
Já
registramos o estrago da desinformação nas eleições passadas. Nesta eleição o
estrago será da IA e enganação. Já vem sendo dito, desde há muito tempo, sobre
os altos riscos de tecnologias sofisticadas no ato de votar e em eleições,
comprometendo a democracia através da desinformação e teorias de conspiração.
Assim sendo,
esses avanços tecnológicos são frequentemente recebidos com fortes críticas de
jornalistas e especialistas, que frequentemente destacam o potencial percebido
da IA para alimentar o engano (por exemplo, deepfakes) e a
manipulação
eleitoral.
Neste caso,
a tensão entre as oportunidades que a IA oferece aos atores políticos e as
crescentes preocupações do público sobre seu uso indevido levanta questões
urgentes para as democracias, particularmente em relação ao papel da opinião
pública em restringir o comportamento das elites políticas, moldar as táticas
de campanha e informar as respostas regulatórias apropriadas.
Por sua
vez, se os partidos políticos não regulamentarem o uso da AI nas eleições de
forma apropriada, sobra para os eleitores avaliarem as campanhas de enganação.
Mas será que os candidatos e partidos políticos que usarem a IA para enganar
enfrentarão uma queda de popularidade entre os eleitores?
Pesquisas realizadas
nos Estados Unidos mostraram que, embora o público desaprove fortemente o uso
enganoso facilitado pela IA em campanhas eleitorais, essa desaprovação não se
traduz em penalidades de popularidade para os responsáveis. Isso revela um
desalinhamento entre as preocupações públicas sobre usos enganosos da IA e os
incentivos eleitorais para que os partidos a ignorem.
Na campanha
eleitoral da eleição passada ouvimos as críticas dos eleitores ao orçamento
secreto – o maior escândalo de corrupção do país, mas os eleitos foram os
grandes beneficiários do orçamento secreto, sacrificando a participação de
mulheres na política. Imagine agora quando a IA pode reforçar a enganação e o
vale tudo nas campanhas eleitorais. Isto mostra a conivência dos eleitores com
práticas corruptas.
É muito
importante melhorar e aumentar a conscientização sobre as diferentes maneiras
pelas quais a IA pode ser usada em campanhas políticas. Pesquisas nos Estados
Unidos já mostraram que a cobertura jornalística se concentra predominantemente
em um tipo de uso: a enganação.
Foi
observado que em mais de três mil artigos de notícias discutindo o uso da IA
nas eleições, mais de 60% (sessenta por cento) deles abordaram usos enganosos
da IA. Menos de 10% (dez por cento) trataram de casos sobre como a IA era
usada, de forma adequada, para melhorar contatos com os eleitores e operações
de campanha. Como resultado, a representação pública da IA na comunicação
política tende fortemente para usos enganosos, negligenciando outros.
Espera-se
que o uso enganoso da IA pelo menos aumente o
apoio público
para uma regulamentação
mais rigorosa da IA incluindo apelos por uma proibição total de seu desenvolvimento, principalmente em
eleições. Contudo, no ambiente político polarizado do Brasil não podemos
acreditar numa desaprovação do uso enganoso da IA.
Será que
alguns tipos de partidos (por exemplo, aqueles que desafiam o sistema ou
populistas) estão mais dispostos a se envolver em usos enganosos? Estudos são
necessários para esclarecer essas dinâmicas organizacionais e contribuir para o
desenvolvimento de regulamentações.
Usos
enganosos da IA na política podem se tornar exemplos de risco tecnológico,
levando a reações que afetam a governança da IA em domínios muito além das
eleições. Este fato aumenta a responsabilidade de atores políticos, acadêmicos,
reguladores e jornalistas.
Por fim, é
inaceitável que as Tech gigantes ou Techbros conduzam eleições. A sociedade
deve parar de perder energia com disputas inúteis e focar no capital político
coletivo, exigindo uma legislação sobre o uso da IA e uma taxação das máquinas,
uma vez que as Big Techs estão no comando.

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