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Mercosul-UE, Aplicativos e a Esperança de Uma Vida Saudável

 

Fonte: Medium

O Acordo Mercosul-EU, pelo que se observa, não surgiu da esperança de uma vida saudável enquanto desejo de todo ser humano, mas de interesses de produzir e vender mais. Existe temor dos europeus em consumir produtos de qualidade inferior, mas será que os consumidores dos dois lados não se unirão na defesa de meios, a exemplo de vários aplicativos, na busca de uma vida melhor e mais saudável?

Se depender apenas da ganância empresarial, isto dificilmente acontecerá. Porém, é da natureza humana acreditar no que é “seguro” e “perigoso”, embora não seja tão simples assim, sobretudo nos setores de alimentos e beleza. No mundo atual, onde os consumidores buscam escolhas melhores e mais saudáveis, seja na alimentação ou na compra de cosméticos, nos deparamos com vários aplicativos.

Vamos citar alguns deles já bastante utilizados por consumidores, que podem ser utilizados e já conhecidos dos europeus, mas que precisam ser utilizados intensivamente por consumidores do Mercosul, visando uma vida saudável dos consumidores dos dois blocos do Acordo.  

Em texto anterior mencionamos que o conceito de sistema alimentar está passando por uma rápida evolução de significado.  Antes, focava basicamente na necessidade de alimentar populações crescentes, limitando-se à produção, distribuição e consumo. Mais recentemente, um conceito mais holístico de sistema alimentar ganha força entre pesquisadores e tomadores de decisão.

Precisamos questionar a natureza e origem da insustentabilidade de nossos modernos sistema alimentares, que resistem à transição para a produção e consumo sustentáveis. No caso do agronegócio do Brasil e a expansão de  grandes corporações foi criada a falsa ideia  de que o país deveria alimentar o mundo, com o propósito de aumentar seus lucros. Neste caso, o propósito limitou-se à produção, distribuição e consumo, esquecendo a sustentabilidade.

Como consequência, o Brasil tornou-se o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, sendo muitos deles proibidos em vários países, diante do teor de riscos para a saúde humana. Assim sendo, é comum encontrar alegações enganosa como “natural”, “não tóxico” e “verde”, em produtos que contém substâncias químicas ocultas, aditivos sintéticos bastante nocivos e disruptores hormonais. 

A falta de dados e informações, de forma compreensiva, impede nossa habilidade de compreender de forma holística as dinâmicas e complexidade dos sistemas alimentares. Alguns autores já chegaram a afirmar que nossas fábricas de alimentos são lugares de “manipulações obscuras”.

No caso do Brasil, a agroindústria demorou muito a fornecer um mínimo de informações de seus produtos aos consumidores, as quais são ainda incompletas e falhas. Não existe sistema alimentar sustentável e saudável sem transparência. Por conta disto, aplicativos tais como YUKA, EWG, CLEARYA e outros explodiram em popularidade.

Não se trata de marketing de modismo, uma vez que tais aplicativos levarão as empresas a terem responsabilidades sobre o que estão produzindo e oferecendo a sociedade para o consumo. É com a ajuda de aplicativos que poderemos distinguir o “seguro” do “perigoso” e analisar a falta de transparência das empresas.

Portanto, vários aplicativos gratuitos nos ajudam a decifrar as listas de ingredientes e toxinas ocultas e nocivas à saúde, tornando mais fácil do que nunca a transição para produtos de higiene pessoal, domésticos e alimentícios mais seguros, sem complicações.

Infelizmente, no Brasil, a maioria dos produtos alimentícios e de beleza não estão nestes aplicativos, o que nos levam a consumi-los sem saber a qualidade deles. O risco é grande e esta falta de transparência precisa ser resolvida.

O Yuka e o EWG, por exemplo, nos mostram os itens cancerígenos dos produtos, sendo o EWG mais científico. O Yuka parece ser um bom aplicativo que deve nos acompanhar aos supermercados ou lojas de produtos de beleza e cosméticos.

É preciso compreender, também, que o uso destes aplicativos depende do contexto. A avaliação de um yogurt, por exemplo, na Europa é muito diferente de um yogurt produzido no Brasil, caso o leite seja oriundo de pastagens afetadas por agrotóxicos ou manipulado de forma diferente. Daí a necessidade de muita transparência na produção de alimentos, que devem atender todas as exigências de segurança alimentar.

Consumidores do Mercosul e da Comunidade Europeia devem demonstrar que são eles os que devem definir um modelo sustentável de qualidade de alimentos para uma vida melhor e mais saudável e não os interesses das corporações.

Sem uma mudança de foco, continuaremos arruinando, mais uma vez, o acordo de 20 anos de discussão. É preciso definir de imediato que itens do acordo já são saudáveis para o consumo dos dois lados e como poderão ser compartilhados.


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