Riscos do Acordo Mercosul-UE e Impostos de Agrotóxicos

 

Fonte: Globoplay                                                                                  

É impossível amenizar riscos inimagináveis à natureza e à saúde de brasileiros e europeus no Acordo Mercosul-União Europeia, sem a exigência de uma carga pesada de impostos ao agronegócio brasileiro para cobrir pesquisas e danos à saúde dos brasileiros, trapos humanos enfrentando doenças cancerígenas e várias outras, causadas pelos agrotóxicos.

É possível que outros países do Mercosul, a exemplo da Argentina, Paraguai e Uruguai, tenham desenvolvido, ao longo dos anos. um modelo agrícola sustentável, ao contrário do Brasil, cujo modelo é insustentável, perverso e tóxico.

O histórico do setor agrícola do Brasil está ligado à escravidão, à desigualdade de posse da terra, à violência, ao desmatamento, à expansão de agrotóxicos, ao envenenamento da população, à fome, à perversa destruição ambiental do solo, dos rios e das águas, aos danos à saúde, além da histórica captura de governos voltados para atender às necessidades das elites e meia dúzia de corporações do setor.

Essa captura de governos vem se acentuando nos últimos anos. Segundo informações do Instituto de Defesa dos Consumidores (IDEC), o poder financeiro e político dos ruralistas em 2025, no Congresso Nacional, é um absurdo e está longe de representar a realidade do povo brasileiro.

Com maioria de parlamentares nas duas Casas do Congresso (Câmara e Senado) e maior bancada de sua história, os grandes fazendeiros do país aprovam o que querem, a exemplo da Lei do Veneno, castigando severamente e de forma criminosa a sociedade brasileira, liberando não só o uso de agrotóxicos proibidos em boa parte do mundo como também a produção deles no Brasil.

Foi este mesmo Congresso que há poucos dias aprovou o Acordo Mercosul-UE. Mesmo desconhecendo o conteúdo do Acordo, algumas questões precisam ser respondidas. Como a União Europeia, que tem um controle de qualidade de alimentos bastante rígido, vai incluir o setor da agricultura do Brasil no Acordo do Mercosul?

A União Europeia deve analisar a situação dos brasileiros, hoje sofrendo com uma carga pesada de agrotóxicos, desmatamento e destruição ambiental. Não seria o caso de exigir que o governo brasileiro imponha um imposto ao agronegócio para ser aplicado na qualidade de vida e saúde dos brasileiros pelos danos às condições de saúde e degradação ambiental, antes de sinalizar um acordo?

Do contrário, a União Europeia poderia definir uma taxação sobre as exportações brasileiras e devolvê-la ao Brasil em recursos destinados a pesquisas sobre os efeitos dos agrotóxicos e melhorias da qualidade de vida dos brasileiros, já que o setor impede que isto aconteça.

Em texto anterior mencionamos que a razão pela qual precisamos tributar os super-ricos é porque sua riqueza desproporcional lhes confere um poder grotesco. Eles devem ter uma dupla tributação. Uma para cobrir os gastos com saúde,  educação e qualidade de vida dos mais pobres e outra tributação pelos males contra a democracia e o desenvolvimento social.

Recentemente o Sindifisco Nacional, sindicato dos auditores fiscais, insistiu para que o agronegócio seja tributado para mitigar os danos ambientais. Por conta do poder financeiro e político, o agronegócio consegue escapar de regras justas, éticas e sustentáveis, tornando-se imune a qualquer lei.

Quando o Estado é capturado pelas elites, cria-se um ciclo vicioso devastador de corrupção. As elites dominantes deste país garantem que podem usar o governo para lucrar, esmagar a concorrência e dominar o mercado. Cria-se uma cultura de corrupção rotineira e de base.

O Presidente Emannuel Macron, da França, tem demonstrado ser contra o Acordo Mercosul-UE. Pode até ser uma forma de protecionismo, mas está correto quando exige que os produtos do Mercosul respeitem as mesmas regras ambientais e sanitárias impostas aos produtores europeus, que proíbem, por exemplo, o uso de pesticidas cancerígenas e danosas à saúde. Com certeza ele sabe que o uso de agrotóxicos no Brasil é um problema ambiental e de saúde pública gigantesco.

Meia dúzia de corporações e grandes fazendeiros do agronegócio criaram a ideia falsa de que o Brasil deve alimentar o mundo. Até parece que isto está acontecendo com o enriquecimento cada vez maior deles e o empobrecimento cada vez maior da população, que enfrenta o envenenamento, terríveis riscos ambientais e doenças da poluição.

No Dia Internacional das Mulheres é preciso mostrar que o Brasil é o país em que os homens mais matam mulheres no mundo. Não bastasse esta violência, hoje elas sofrem a matança por envenenamento de agrotóxicos e seus efeitos cancerígenos, longe dos olhos da justiça. A cultura de violência contra as mulheres é cada vez mais reforçada por um  sistema patriarcal de dominação. O Acordo Mercosul-UE não pode omitir isto.

Por conta da ganância e avareza, muitas delas são levadas ao sofrimento do aborto prematuro, malformação fetal ou congênitas, sendo várias as pesquisas no Brasil mostrando a deformidade dos pés, fenda labial e fenda palatina, malformações do sistema nervoso, aparelho circulatório, aparelho digestivo, deformidades do quadril e outras.  

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