Na Constipação Duas Bactérias Comem o Muco Intestinal

 

Fonte: You Tube                                                                                    

Nova pesquisa científica em constipação ou intestino preso mostra que existem duas bactérias (Akkermansia muciniphila e Bacteroides thetaiotaomicron) que comem o muco intestinal, mostrando que os atuais métodos de tratamento do intestino preso são falhos, sobretudo o de empurrar fibras nos pacientes.

Há poucos dias pesquisadores da Universidade de Nagoya, no Japão, identificaram que estas duas bactérias intestinais, atuando em conjunto, contribuem para a constipação crônica. Esses microrganismos destroem a camada de muco intestinal, conhecida como mucina colônica, que normalmente lubrifica o cólon, hidrata as fezes e protege as paredes intestinais da invasão bacteriana.

O intestino grosso é revestido por uma espessa camada de muco que funciona como um “escorregador” natural para as fezes. Com a destruição desta camada por micróbios, que se alimentam agressivamente dela, acaba-se a lubrificação, sendo as fezes ressecadas por entrarem em contato direto com a parede intestinal, tornando-se duras como pedras.

Neste caso, os laxantes osmóticos (que puxam água) ou estimulantes (que contraem o intestino) não conseguem resolver o atrito causado pela falta de muco. Assim sendo, a degradação da camada protetora deixa milhões de pessoas com sintomas resistentes aos tratamentos convencionais.

O estudo, detalhado na revista Gut Microbes, também revela por que os laxantes muitas vezes não são eficazes para quem sofre desse problema persistente. Comer mais fibras talvez endureça mais as fezes. Como o problema principal reside na erosão da mucina e não na lentidão do trânsito intestinal, os medicamentos que visam a motilidade (capacidade de se mover) intestinal  oferecem pouca ajuda.

A pesquisa foi mais além, ao nos mostrar a relação do nosso intestino com outras doenças severas, incluindo a doença de Parkinson, que começa no intestino e depois invade o sistema neurológico. Pacientes com Parkinson enfrentam a constipação durante 20 a 30 anos.

Sabemos que os micróbios habitam a Terra há centenas de milhões de anos, muito mais tempo do que os humanos. O eixo intestino-cérebro (EIC) representa uma via de comunicação bidirecional. Essas comunicações ocorrem entre o sistema nervoso central (SNC), o sistema nervoso entérico (SNE) e os centros emocionais e cognitivos do cérebro.

O campo de pesquisa sobre o eixo intestino-cérebro cresceu significativamente nas últimas duas décadas. A sinalização ocorre entre a microbiota intestinal e o cérebro por meio das vias neural, endócrina, imunológica e humoral. 

Um conjunto substancial de evidências indica que o eixo intestino-cérebro desempenha um papel fundamental em várias doenças neurológicas, sendo os alimentos de grande importancia para nossa saúde, exceto os ultraprocessados.

Na análise da pesquisa japonesa, acima citada, foi revelado que pacientes com a doença de Parkinson possuem níveis elevados da dupla de bactérias comedoras de muco, reforçando a teoria de que o Parkinson pode começar no intestino (Eixo Intestino-Cérebro).

Espera-se que em breve surjam testes de microbiana fecal disponíveis comercialmente, de modo que possam identificar a existência de comedores de muco no nosso intestino. Por enquanto podemos usar alguns alimentos mucilaginosos, a exemplo do quiabo e babosa, que podem formar um gel temporário para lubrificar o cólon e aliviar os sintomas, porém não substituem a mucosa intestinal humana, que está sendo devorada por bactérias.

Um fato importante desta pesquisa é que os pesquisadores modificaram uma das bactérias, a B. thetaiotaomicron, para impedir que ela degradasse a mucina. Em seguida, transplantaram essa bactéria, juntamente com a outra, A. muciniphila, para camundongos.

Curiosamente, a mucina do cólon dos camundongos permaneceu intacta. E os animais mantiveram o funcionamento regular, sem sinais de constipação. Os resultados indicam que ambas as bactérias juntas, e não apenas uma delas, representam uma ameaça à mucina.

Não se conhece ainda os níveis de disseminação destas bactérias em humanos, mas os resultados podem abrir caminho para novos tratamentos para a constipação crônica, especialmente para pessoas que não encontram alívio com os medicamentos e remédios já disponíveis no mercado. Segundo uma estimativa, uma em cada cinco pessoas na América do Norte pode sofrer de constipação crônica, sendo mais comum em mulheres e idosos.

Por fim, esperamos que as pesquisas avancem nos estudos das duas bactérias, de modo que elas se tornem “bactérias do bem” ou probióticos que influenciam o nosso corpo e mente, melhorando nossa saúde e não comendo o muco intestinal. 

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