Postagens em Destaque

STF e Ruralistas Reforçam a Ganância na Moratória da Soja

 STF e Ruralistas Reforçam a Ganância na Moratória da Soja

Fonte: Linkedln                                                                                                                        

Há poucos dias o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou leis estaduais que atendem à ganância e interesses dos ruralistas, as quais vão facilitar o desmatamento, ao contrário do acordo voluntário da chamada Moratória da Soja.

Moratória da Soja

Pela Moratória da Soja, que já dura 20 anos, havia um compromisso voluntário, firmado entre o governo, grandes corporações do setor agrícola e organizações da sociedade civil, que impedia a comercialização de soja produzida em áreas da Amazônia desmatadas após julho de 2008.

O sucesso da Moratória levou o próprio STF a torná-la constitucional, mas, em contrapartida, ao aprovar as leis estaduais de Mato Grosso (MT) e Roraima (RO) colocou as empresas participantes numa sinuca de bico, como descrito abaixo:

- Se permanecerem na moratória perdem os incentivos fiscais, com as novas leis aprovadas, embora continuem exportando livremente para o exterior, cumprindo a moratória.

- Por outro lado, se saírem da moratória manterão os incentivos fiscais, mas poderão perder a credibilidade e enfrentar até punições de órgãos internacionais, a exemplo da Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR).

Pela Moratória da Soja, as corporações ou traders assinaram um pacto para não comprar soja de nenhuma área da Amazonia que foi desmatada depois de julho de 2008, mesmo com autorização legal, para não serem punidos pelos órgãos internacionais. Isto atingia em cheio os produtores locais que desmatava.

Ao que parece, as novas leis estaduais é uma tentativa de manter os ruralistas sem um controle internacional dos que produzem e desmatam suas próprias terras, mesmo dentro das regras permitidas pelo Código Florestal Brasileiro.

Essa desordem precisa ser melhor analisada para não parecer apenas como um sentimento de injustiça ou boicote, sobretudo para o produtor e para os políticos locais. Acontece que as questões ambientais estão acima de qualquer lei brasileira. De quem eram os interesses de não ter resolvido esta questão há mais tempo?

Leis criadas no Brasil com interesses são abundantes e nem sempre o legal é moral. A grande questão é o desmatamento e a recusa dos traders em não comprar a soja dos produtores locais que desmatam, por conta da Moratória e o temor de sofrerem protestos de ONGs ambientais no exterior.

STF e Ruralistas

Ademais, é preciso avaliar as práticas retrógradas do agronegócio brasileiro, já punido com a rejeição da carne de baixa qualidade pela União Europeia, mortes de abelhas, borboletas e mel contaminado com agrotóxicos e envenenamento da população.

É lamentável que a maior corte de justiça do país tenha aprovado leis de um alcance tão amplo, sem informações adequadas e sem considerar as toxidades do agronegócio brasileiro e suas práticas de desmatamento.

Apenas o Ministro Edson Fachin, presidente do STF, abriu divergência ao julgar as leis estaduais, consideradas como inconstitucionais, mas foi voto vencido. Vale a pena mencionar parte de sua defesa.

“Não se pode utilizar o sistema tributário para penalizar quem adota práticas mais protetivas.  Eu entendo que ambas as leis penalizam quem adota práticas ambientais mais protetivas.”

Com a saída de grandes corporações da Moratória da Soja, a exemplo da Cargill, Bunge e Amagii e com os ruralistas locais podendo desmatar e vender seus produtos, é possível prever que o modelo do Velho Oeste e a violência, sobretudo contra a população indígena vai se intensificar na região.

Diante da indiferença e passividade do consumidor brasileiro em relação ao nosso sistema alimentar, as grandes corporações e ruralistas ditam as regras do jogo.  O mínimo que deveria ser considerado num julgamento desta natureza era o seguinte:

- O Brasil precisa manter milhares de km² destinados só ao plantio de milho e soja;
A produção de milho e soja no país precisa aumentar ou diminuir;- Estes produtos estão sendo consumidos por humanos ou animais;
- Qual o saldo positivo da Moratória para a sociedade brasileira, depois de 20 anos;
- Qual o menor custo para os governos – manter a floresta em pé ou conceder incentivos a estas corporações.

Antes de uma decisão da justiça e diante da complexidade do tema, organizações da sociedade civil deveriam ter promovido um profundo debate do assunto para uma melhor compreensão da sociedade.

Por fim, é preciso entender temas complexos e seus entrelaçamentos numa cultura de desmatar e de destruição ambiental, de poluição, numa cultura de corrupção desenfreada, numa cultura de violência contra as mulheres, numa cultura de ódio, os quais nem sempre são consideradas nas grandes decisões do país.

Se os eleitores brasileiros, nas próximas eleições, não reduzirem a bancada ruralista no Congresso Nacional, a ganância do agronegócio será vista como a maior força de destruição do Brasil.  


Comentários