Educação Ambiental e Geração Z no País do “Futuro”
As gerações mais velhas estão diante de um
dilema moral e ético devido aos reclamos ferozes e efetivos das gerações mais
novas, principalmente da chamada Geração Z, ou seja, os nascidos entre 1996 e
2011, que mais tem se preocupado com as questões ambientais. Diante dos fatos
ecológicos, não é exagerado dizer, lamentavelmente, que estamos vivendo em
tempos extremos em que preparar as crianças para o futuro significa prepará-las
para a possibilidade de não terem um futuro. Os riscos são reais e devemos
enfrentá-los com muita habilidade, vontade política e uma profunda consideração
ética, a menos que se queira simplesmente suspirar e baixar a cabeça com
vergonha.
No Brasil a situação é mais complicada. Com a
destruição das bases científicas e de conhecimento neste governo, o Brasil
poderá levar de 10 a 15 anos para recuperar o tempo perdido, reforçando a
descrença de ser um país do futuro, com indicadores de países pobres da África.
Como a educação sempre desempenhou um papel fundamental nos processos de transformação
das sociedades, qual o papel da educação ambiental no nosso país, no momento, preparando
nossos jovens, principalmente a Geração Z, a serem agentes de mudanças?
Se as gerações dos Millenials e Z tem se
preocupado com as questões ambientais não se pode deixar de oferecer a elas uma
educação ambiental adequada e crítica, enfatizando a reflexão, transversalidade
e interdisciplinaridade, de modo que adquiram uma base de conhecimento para
combater os desiquilíbrios ecológicos de nosso tempo. Só os interesses, vontade
ou desejos podem não levar a mudanças. É preciso se ter uma base de
conhecimento para resistir.
Não se pode ter muitas ilusões de que os jovens
se transformem em bons, convivendo com os ruins, dotados de comportamento
ganancioso, de usura e que exploram a Natureza como recurso, de forma
descontrolada para acumular bens e fortalecer poder. Só através de uma educação
ambiental no ensino básico, fundamental e universitário é possível levar a
Geração Z a desenvolver atitudes de respeito e de preservação ambiental,
refletir sobre os problemas locais, regionais e globais, propondo soluções para
suas causas.
Estamos vendo e assistindo as gerações mais velhas
engajadas na destruição de nossas florestas, acirrando a miséria, além das práticas
destrutivas de nossos congressistas aprovando legislações voltadas para a
destruição da Natureza. Em busca de acumulação de riquezas fingem que nada está
acontecendo, mas não podemos deixar que seja desperdiçada as preocupações da
Geração Z. Educadores deste país não podem simplesmente baixar a cabeça, mas se
engajarem num processo de mudanças junto das gerações dos Millenials e Z,
focando na espécie de mundo que devemos deixar para trás, que pode não deixar
nenhuma possibilidade de futuro para estas gerações.
Os cientistas das ciências naturais realizaram
diversos estudos sobre as condições climáticas, coletaram e analisaram dados e
explicaram as causas e efeitos. Fizeram as previsões e ofereceram recomendações
baseadas em dados. Isto é o que as ciências naturais podem fazer. O que elas
não podem fazer é resolver os problemas das mudanças climáticas, uma vez que
problemas ambientais não são problemas naturais. São problemas culturais e
sociais, causados por décadas de mau comportamento humano.
A busca de caminhos apropriados é a chave
pedagógica e o desafio didático em todas as formas de educação. Isto não é uma
surpresa, na educação ambiental, quando emergem as pressões e batalhas com a
verdade e os fatos. Questões sobre mudanças climáticas, perda da biodiversidade
e destruição da natureza frequentemente não se adequam à visão dominante do
mundo Ocidental, diante da divisão entre fatos e verdades objetivos versus
crenças, preferencias e valores subjetivos. Eles são caracterizados, de um
lado, por um inseparável emaranhado de aspectos sociais, políticos e humanos e,
de outro lado, por elementos materiais, naturais e técnicos. Assim sendo,
educadores e pesquisadores em educação ambiental e de sustentabilidade são
desafiados pela questão do que constitui o bom ensino em relação a estes aspectos.
A dimensão política na educação ambiental é
institucionalizada na política internacional através de agendas, como a Agenda
2030 de Desenvolvimento Sustentável e recomendações da UNESCO. É também
incorporada nos currículos de ciências e educação ambiental. A integração das
questões ambientais no conteúdo educacional é inseparável da questão de
desenvolvimento, levando-as a controvérsias do discurso de desenvolvimento
sustentável, que oferece uma série de vantagens, mas também perigos à educação
e educadores. Como já foi dito, muitas
promessas do desenvolvimento sustentável não levam a nada mais do que sustentar
o insustentável.
Para alguns estudiosos é preciso esclarecer os
problemas filosóficos que tratam universalmente dos valores e responsabilidades
sustentáveis na educação ambiental e de sustentabilidade, uma vez que a
educação precisa introduzir os estudantes a uma linguagem política que os
capacitem a refletir criticamente por si mesmos e por ações e valores de outros
grupos. Um fenômeno que se observa na educação é a lacuna entre a estrutura curricular
formal e suas práticas, quando o educador neutraliza a dimensão política e
determina que conhecimento e orientação moral os estudantes devem aprender.
Muitos acadêmicos, teóricos educacionais e
pesquisadores em educação ambiental e de sustentabilidade enfatizam a
importância de se reconhecer os desafios democráticos e políticos na educação
ambiental e nas práticas educacionais. Repensar a
educação ambiental e de sustentabilidade é desmascarar a dimensão política
vigente, re-politizar a educação, indo além da visão objetivista, usando a
paixão como força.
Dorminhocos, acordem! Nossa casa está em
chamas.
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